CI

Plantas Como Repelentes e/ou Inseticidas: Para uso na agricultura Familiar


William Costa Rodrigues
Untitled Document

Há muito tempo o homem vem pesquisando a ação das plantas como repelentes e mesmo com ação inseticida. Vários estudos ao longo de muitos anos vem sendo realizados para tentar encontrar, dimensionar e verificar a ação de extratos, pós, macerados de plantas sobre os insetos. Neste artigo técnico/informativo farei uma compilação de estudos científicos sobre a ação de plantas sobre insetos, seja com inseticida ou mesmo como repelente.

Esgotar este assunto neste artigo seria no mínimo muito pretensioso de minha parte, porém darei uma ideia da atualidade do uso e pesquisa de plantas inseticidas, para esgotar este assunto, o que seria quase impossível, seria necessário escrever um compêndio sobre o assunto.

Segundo Cloyd (2004) há várias vantagens e desvantagens referente a utilização de inseticidas botânicos.

Vantagens:

  • Degradação rápida: Sobretudo em condições alta luminosidade, umidade e chuva. Ou seja esses produtos possuem menor persistência no ambiente reduzindo seu impacto a organismos benéficos, homem e ambiente.
  • Toxicidade Baixa a Mamíferos: Muitos inseticidas botânicos têm baixa toxicidade a mamíferos (grande DL50) e alguns na dose recomendada não são tóxicos ao homem, abelhas e outros mamíferos.
  • Ação rápida: Matam o inseto, paralisam ou reduzem sua alimentação quase imediatamente após sua aplicação.
  • Seletividade: São geralmente menos danosos a insetos e ácaros benéficos principalmente devido ao seu baixo efeito residual.
  • Baixa Fitoxicidade: A maioria do inseticidas botânicos não são fitotóxicos.

Desvantagens

  • Degradação Rápida: Por isto podem ser exigidas muitas aplicações para se obter o controle satisfatório de ácaros e insetos–praga.
  • Toxicidade a organismos não-alvo: Alguns inseticidas botânicos como a nicotina e a rotenona (ocorre naturalmente nas raízes e talos de várias plantas) são muito tóxicos a mamíferos e peixes, respectivamente.
  • Custo de Disponibilidade no Mercado: Muitos inseticidas botânicos não estão disponíveis comercialmente e podem ser mais caros que os inseticidas organo sintéticos.
  • Falta dados de pesquisa: A falta de resultados de pesquisa quanto a eficácia, efeitos secundários e toxicidade crônica. Que na minhaopinião tem sido contornado com os estudos realizados nos últimos cinco anos.

A utilização de plantas com inseticidas, requer por parte do agricultor certos cuidados, uma vez que algumas das plantas poder causar irritação na pele ou mesmo, baixa toxicidade. Cabe portanto ao agricultor procurar assistência técnica dos órgão de extensão rural, para melhor auxiliar-lhe na preparação, uso e armazenamento do produtos. No caso da preparação é imprescindível a presença de um Agrônomo ou Técnico Agrícola, para que as dosagens sejam estipuladas corretamente e as plantas corretas sejam, selecionadas de forma precisa, pois alguma pequena diferença na espécies pode alterar a eficiência e mesmo a dose a ser aplicada. Na Tabela 1 abaixo, segue alguns exemplos de plantas que podem ser utilizada com inseticidas/repelentes, segundo o conhecimento popular, mas que há comprovação científica.

Tabela 1. Algumas plantas de uso como inseticida de acordo com a sabedoria popular. Segundo Guerra (1985).

Nome comum

Utilização

Espécie

Abricó-do-pará

Controle das lagartas Diaphania spp., Spodoptera frugiperda e Plutella xylostella

Mammea americana

Alamandra

Controle de pulgões

Allamanda nobilis

Arruda

Controle de pulgões

Ruta graveolens

Atanasia

Repelente a formigas

Tanacetum vulgare

Calendola

Controle de insetos em geral

Calendola officinalis

Coentro*

Controle de ácaros e pulgões

Coriandrum sativum

Esporinha

Controle de gafanhotos

Delphinium sp.

Hortelã

Repelente à formigas

Mentha piperita

Saboneteira

Controle de pragas de grãos armazenados

Sapindus sapona

Urtiga

Controle de pulgões e repelente ao percevejo Phthia picta.

Urtica urens

*Veja o trabalho de Mazzonetto & Vendramim (2003)

Um dos inseticidas sintéticos de largo uso hoje e mesmo num passado recente é o piretóide, que tem origem em flores de crisântemo (Chrysanthemum cinerariaefolium e C. coccineum). Piretróides são comuns em produtos comerciais tais como inseticidas domésticos e repelentes para insetos. São usualmente decompostos pela luz do Sol e atmosfera em um a dois dias, e não tem efeito sobre a qualidade da água de subsolo (Wikipédia, 2012).

Em seus estudos Mazzonetto & Vendramim (2003) informam que o emprego de plantas como inseticidas, principalmente na forma de pós secos, de forma especial favorece o pequeno produtor, pelo baixo custo, facilidade de sua utilização, sem a necessidade de pessoal qualificado, e pelo fato de não agredir o meio ambiente. Ainda segundos os autores, as plantas podem ser cultivadas na propriedade, ou seja em pequenas propriedades, facilitando a utilização destas plantas.

Neste trabalho realizado por Mazzonetto & Vendramim (2003) determinaram a bioatividade dos pós de 18 espécies vegetais em relação a Acanthoscelides obtectus (Caruncho do feijão), avaliando o efeito destas espécies no comportamento e sobrevivência deste inseto.

Os resultados encontrados por Mazzonetto & Vendramim (2003) foram:

“O tratamento mais eficiente foi o pó da parte aérea de erva-de-santa-maria (Chenopodium ambrosioides, p.2) que provocou repelência, mortalidade total dos adultos e nenhuma oviposição, vindo a seguir as cascas de Citrus sinensis (laranja ‘Pera’) e folhas de Lafoensia glyptocarpa (mirindiba). Folhas de Coriandrum sativum (coentro) não foram repelentes, porém provocaram mortalidade total dos adultos e, conseqüentemente, nenhuma oviposição. Também provocaram repelência: a parte aérea de C. ambrosioides (p.1); folhas de Eucalyptus citriodora (eucalipto-cheiroso), Mentha pulegium (poejo), Ocimum basilicum (alfavaca), O. minimum (manjericão) e Ruta graveolens (arruda); cascas de Citrus reticulata (laranja ‘Murcote’) e frutos de Melia azedarach (cinamomo) e L. glyptocarpa.”

Em outro estudo Lovatto et al. (2004) testaram plantas silvestres da família solanácea, mesma do tomate e da batata inglesa, em pulgão de couve (Brassica oleracea var. acephala). Lembrando que está PE uma cultura muito explorada por agricultores familiares e por isso, de suma importância a aplicação de meios de controle menos dispendiosos e mesmo menos tóxico, uma vez que este agricultores, não possuem infra estrutura e mesmo qualificação para o uso correto do EPI. Este pesquisadores testaram as seguintes espécies de planta: B. suaveolens (trombeteira), C. annuum var. variegated (pimenta-de-jardim), N. tabacum var. Virginia (fumo), S. aculeatissimum (joá-bravo), S. americanum (ervamoura), S. diflorum (tomatinho), S. fastigiatum var. acicularium (jurubeba), S. fastigiatum var. fastigiatum (jurubeba) e S. sisymbriifolium (arrebenta-cavalo), plantas comumente encontradas de forma natural em uma propriedade. Os pesquisadores obtiveram os seguintes resultados:

“Quanto à capacidade de repelência dos extratos, os tratamentos utilizando material fresco de S. fastigiatumvar. acicularium(frutos verdes e maduros, 2,5% e 5% de concentração) e S. diflorum(frutos verdes e maduros, 2,5% e 5% de concentração) demonstraram maior eficácia. Nos testes sobre a biologia do inseto os tratamentos mais eficazes como inseticida foram S. fastigiatumvar. fastigiatume var. acicularium(folhas a 10% de concentração).”

Uma espécie vegetal largamente utilizada para o controle de insetos é a Nicotiana tabacum (Fumo). Esta espécie pertence a família do tomate (Solanácea).

Outra planta largamente utilizada e que tem demonstrado eficiência contra insetos é azadiractina, sendo conhecida por interromper a metamorfose e inibir a alimentação dos insetos. É extraída de sementes das espécies vegetais Azadirachta indica e da Melia azedarach. Estas espécies são exóticas e foram introduzidas no Brasil. As propriedades da azadiractina começaram estudadas na década de 1950. Os primeiros registros foram feitos na Índia, onde, uma nuvem de gafanhotos destruíram completamente uma plantação, mas não consumindo árvores das espécies A. indica e M. azedarach.A utilização da planta é na forma de óleo, conhecido com Óleo de Nim. Segundo Martinez (2008) a ação dos extratos de nim sobre insetos é bastante variável, ou seja, altera sua ação de espécie para espécie. O extrato possui registro de ação sobre mais de 300 espécies. A maior parte dos estudos foi feito em laboratório, havendo mais necessidade de mais estudos para se determinar com maior segurança quais as pragas podem ser controladas, quais as doses corretas, a frequência correta de aplicação, entre outros aspectos.

Ainda segundo Martinez (2008) as espécies mais facilmente controladas são:

“as lagartas, pulgões, cigarrinhas, besouros mastigadores. Resultados de pesquisa do IAPAR mostraram efeitos letais e deformidades em larvas e pupas de lagarta-do-cartucho do milho, curuquerê do algodoeiro, ácaros e bicho-mineiro, cochonilhas e redução de postura em bicho-mineiro, broca-do-café e mosca branca. Em testes com a joaninha, inimigo natural de pulgões, extratos de nim não causaram morte dos adultos e sua ação sobre as larvas foi mediana para uma espécie e inócua para outra, não reduzindo sua voracidade, o que comprova seu potencial para uso em associação com inimigos naturais contra as pragas.”

Em seus estudos Restello et al. (2009) estudarão efeito do óleo essencial de tagetes ou cravo-de-defunto, sobre o gorgulho do milho (Sitophilus zeamais). Dentre as concentrações testadas a iguala 10 µL, foi eficaz no controle de adultos de S. zeamais, comefeito repelente e inseticida.

A quem deseja se aprofundar no assunto recomenda-se a leitura dos livros “Controle alternativo de pragas e doenças”, “Avanços no Controle Alternativo de Pragas e Doenças” e “Tecnologias Alternativas para o Controle de Pragas e Doenças”, todos coordenados por Madelaine Venzon, Trazilbo José de Paula Júnior e Angelo Pallini,da Editora da UFViçosa.

Conclusão

É importante frisar antes de qualquer conclusão, que apenas o controle “alternativo”, não é um meio suficiente para o controle de pragas, visto que o manejo da cultura, seleção de sementes, plantio no período correto, dentre outros fatores, interferem diretamente na ocorrências de pragas e doenças. Cabe ressaltar que a eliminação de restos culturais é de suma importância para evitar a permanência e propagação de pragas e doenças, cabe ao agricultor consultar um profissional de Extensão Rural, para saber qual a melhor técnica para eliminar ou aproveitar o restos culturais, sem riscos a cultura.

Sem sombra de dúvidas os métodos de controle alternativo de pragas e doenças tem obtido mais notoriedade e maior estudos nas últimas décadas e tem beneficiado muitos agricultores familiares e mesmo agricultores médios, principalmente os com cultivo orgânico, que enxergam o método de controle alternativo como uma fonte saudável e limpa para o controle de pragas e doenças.

Referências

Cloyd, R. 2004. Natural indeed: Are natural insecticide safer and better then conventional insecticide? Illinois Pesticide Review, 17: 1-3.

GUERRA, M.S., 1985. Receituário caseiro: alternativas para o controle de pragas e doenças de plantas cultivadas e seus produtos. Brasília, EMBRATER, 166p.

Lovatto, P.B., M. Goetze & G.C.H. Thomé, 2004. Efeito de extratos de plantas silvestres da família Solanaceae sobre o controle deBrevicoryne brassicae em couve (Brassica oleracea var. acephala). Ciência Rural, 34(4): 971-978.

Martinez, S.S., 2008. O Nim - Azadirachta indica - um Inseticida Natural. Acesso em: 12.02.2013. disponível em: http://www.iapar.br/arquivos/File/zip_pdf/O%20NimDownloadFev2008PDF.pdf

Mazzonetto, F. & J.D. Vendramim, 2003. Efeito de Pós de Origem Vegetal sobre Acanthoscelides obtectus (Say) (Coleoptera: Bruchidae) em Feijão Armazenado. Neotropical Entomology, 32(1): 145-149.

Restello, R.M., C. Menegatt & A.J. Mossi, 2009. Efeito do óleo essencial de Tagetes patula L. (Asteraceae) sobre Sitophilus zeamais Motschulsky (Coleoptera, Curculionidae). Revista Brasileira de Entomologia, 53(2), 304-307.

Wikipédia, 2012. Piretroide. Acesso em: 12.02.2013. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Piretroide

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7