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Controle biológico na cultura dos citros


William Costa Rodrigues

Introdução

A citricultura possui destaque na balança comercial brasileira, tendo gerado divisas e movimentando bilhões de Reais anualmente, com exportação de suco concentrado além do comércio interno.

É sabido que grande parte dos custos na produção de plantas cítricas vem dos insumos agroquímicos, que ocasionam impacto ambiental, através da má utilização, ou seja, aplicação de dosagens acima da recomendada pelo fabricante, o que acaba gerando outro problema muito mais sério, a resistência dos insetos ao princípio ativo, pela seletividade dos indivíduos mais resistentes. Uma alternativa para minimizar em alguns casos os altos custos da produção de frutas cítricas, é a implantação de um programa de controle biológico. Obviamente o controle biológico, ainda vem crescendo no Brasil e por este motivo algumas culturas ainda não dispõe de um programa específico. Outro problema que ainda limita o controle biológico para algumas culturas são as grandes áreas de cultivo e uma tecnologia apropriada para a implantação. Não podemos deixar de lado, que encontrar um inimigo natural eficiente para cada praga, torna-se quase que inviável qualquer programa de controle biológico.

Caso de sucessos do emprego de programas de controle biológico em plantas cítricas são relatados na literatura, como é o caso da introdução da joaninha Rodolia cardinalis para o controle da cochonilha Icerya purchasi, nos Estados Unidos em 1890. Outro caso de sucesso é a introdução dos parasitóides Aphytis lignanesis A. holoxanthus, no controle de diaspidídeos (Homoptera, Diaspididae), principalmente Selenaspidus articulatus e recentemente a introdução no Brasil da Ageniaspis citricola, para o controle da larva minadora das folhas dos citros (Phyllocnistis citrella), principalmente em mudas, onde o ataque da mariposa é mais severo.

Principais pragas de plantas cítricas e seus inimigos naturais

Moscas das Frutas
Neste grupo estão em destaque estão as moscas pertencentes ao gênero Anastrepha, que são parasitadas por uma série de microhimenópteros, tais como Diacasmimorpha longicaudata, Doryctobracon areolatus, D. brasiliensis, entre outros e suas larvas são predadas por formicídeos das espécies Solenopsis germinata e Pheidole megacephala. O controle biológico de moscas das frutas pode também ser realizado com a criação e liberação de machos estéreis em áreas de ocorrências das espécies, entretanto o Brasil apresenta uma particularidade diferente de outros países onde este programa obteve êxito. É que no Brasil o grande número de hospedeiro alternativos das moscas das frutas é muito grande o possibilita a ressurgência.

Aleirodídeos (mosca branca)
Este grupo de insetos não tem um destaque muito grande entre as pragas de citros, devido principalmente a dificuldade de identificação no campo, entretanto no estado do Rio de Janeiro há estudos que comprovam a importância deste grupo de insetos como pragas importântes da citricultura.

Dentre os aleirodídeos talvez o que mais possui referência de inimigos naturais é o Aleurothrixus floccosus. Para este aleirodídeo é referenciado como parasitóides Eretmocerus paulistus, Prospatella brasiliensis, Signiphora townsendi. No Estado do Rio de Janeiro, são referenciados os seguintes parasitóides, Arrhenophagus sp., Cales sp., Encarsia ap., Eretmocerus sp. e três espécies de Signiphora. Este mesmo autor ainda realizou estudos sobre o parasitismo de duas espécies (Encarsia sp. e Signiphora sp.) sobre A. floccosus, demonstrando o índice de parasitismo por dois anos.

Apesar da existência de outros aleirodídeos, tais como: Dialeurodes (=Singhiella) citrifolii, Paraleyrodes bondari, Aleurothrixus porteri e Aleurotrachelus cruzi, poucos estudos tem sido realizados para verificar a real situação dos prejuízos que estes causam às plantas cítricas e mesmo para o reconhecimento de seus parasitóides e predadores.

Os predadores de aleirodídeos são citados por vários autores, tais como P. bondari, predado por coccinelídeos; P. bondari e S. citrifolii predados por Chrysopa sp (provavelmente Chrysoperla); A. floccosus predado por dípteros da família Syrphidae e pelos coccinelídeos Pentiliaegena, Azya luteipes, Hyperaspis notata, Ladoria desarmata e Scymnus sp. Outros coccinelídeos associados à aleirodídeos citados na literatura são: Delphastus argentinicus, Diomus spp. e Nephaspis sp.

Dentre os fungos o é citado Aschersonia aleirodes, associado à A. floccosus e Singhiella citrifilli.

Cochonilhas
Estudos de inimigos naturais de cochonilhas são mais freqüentes, quando comparados com os realizados com aleirodídeos. Por este motivo um maior número de predadores e parasitóides são citados. Como já foi dito Icerya purchasi, predada por Rodolia cardinalis (Coleoptera, Coccinellidae). No Estado do Rio de Janeiro as duas cochonilhas com maior volume de estudos são Orthezia praelonga e Selenaspidus articulatus, porém outra cochonilha que merece atenção é Pinnaspis aspidistrae.

Pulgões
Os dados sobre inimigos naturais dos pulgões dos citros (Toxoptera citricida e T. aurantii) no Brasil são mais restritos onde somente nove inimigos naturais estão associados a estes afídeos, sendo quatro associados ao a T. citricida. No Rio de Janeiro é assinalada a predação de T. citricida pelo coccinelídeo Cycloneda sanguinea, por dípteros da família Syrphidae e por coccinelídeos, como segue: Azya luteipes, Curinus coeruleus, Cycloneda sanguinea, Olla v-nigrum, Pentilia egena, Scymnus sp. e Sthetorus sp.

Larva Minadora do Citros (Phyllocnistis citrella)
Fitoparasito recentemente introduzido, onde seu primeiro registro deu-se em março de 1996 , já obtém destaque no número de estudos sobre inimigos naturais, principalmente no Estado de São Paulo. para o Estado do Rio de Janeiro tem sido registrado os seguintes inimigos naturais, Cycloneda sanguinea, Pentilia egena, Azya luteipes (coccinelídeos), crisopídeos e os parasitóides Cirrospilus sp. Horismenus sp., Elasmus sp. e Galeopsomyia fausta

Dentre os parasitóides um dos mais promissores no controle da larva minadora é Ageniaspis citricola (Hymenoptera, Encyrtidae), recentemente introduzido no Brasil através do Estados unidos, apesar de sua origem no Vietnã. No Estado de São Paulo foram liberados cerca de 350.00 parasitóides em mais de 60 municípios entre 1998 e 2001, sendo também realizada uma liberação no Estado do Rio de Janeiro, no município de Araruama (Distrito de São Vicente de Paulo) em dezembro de 2000.

Considerações Finais
O controle biológico em plantas cítricas no Estado do Rio de Janeiro vem sendo realizado de forma tímida se comparado ao Estado de São Paulo, porém esta técnica é promissora, desde que ocorra uma melhoria, principalmente na política agrícola do Estado e uma maior parceria e compromisso entre as Universidades Públicas e os Órgãos de extensão e pesquisa do Estado. Assim possibilitaria o desenvolvimento de técnicas que possam atender as necessidade dos produtores, inicialmente e num segundo momento a implantação de novas tecnologias visando uma maior eficiência de produção com menor custo.

Um aspecto básico e extremamente importante para a implantação do controle biológico, é o investimento na educação dos produtores, pois o nível de tecnificação do produtor em geral está relacionado com o poder aquisitivo e grau de escolaridade. Desta forma, na maioria dos casos a compreensão de uma nova tecnologia, por um produtor alfabetizado é maior do que um não alfabetizado.

Será que a implantação de um programa de controle biológico será impossibilitada pela extinção da Citricultura Fluminense, que há muito entrou em decadência? Fica a pergunta no ar.

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