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No período de 26 de março e 1º de abril, os preços do milho subiram, chegando a R$21,40/saca no mercado físico, segundo o Cepea/Esalq/USP. Esse aumento de preço ocorreu devido à falta de chuvas nas regiões produtoras e à retenção dos vendedores, que esperam por preços ainda maiores. A produção no Brasil deve chegar a 42,5 milhões de toneladas de milho na safra 2003/04, segundo algumas consultorias, mesmo com os problemas que a safrinha vem enfrentando, cuja produção estimada é de 9 milhões de toneladas, 28,9% abaixo do registrado em 2002/03. Os problemas da safrinha começaram com o atraso do plantio no Mato Grosso, seguido por situação de seca que durou todo o primeiro bimestre, no eixo Paraná, Sul do Mato Grosso do Sul e Paraguai.
Com tudo isso acontecendo, a safrinha está na iminência de quebra e ainda há o receio de que haja fluxo de plantio em favor da soja para a safra 2004/05. Ainda assim, as exportações brasileiras somaram 1,94 milhão de toneladas, que é resultado superior ao do mesmo período em 2003. O estoque final de milho para 2004 deverá ser bem reduzido comparado ao ano passado. Com produção estimada para este ano de 42,5 milhões de toneladas, acrescido pelo estoque de passagem de 5 milhões, consumo médio estimado em 40 milhões e exportação de 4,5 milhões, o estoque final deverá ficar em aproximadamente 3 milhões de toneladas.
Na BM&F, as cotações dos contratos futuros de milho em 6 de abril encerraram em níveis mais elevados do que em 8 de março, refletindo a redução da produção da safrinha e o fato mencionado anteriormente sobre a projeção do baixo estoque final. O vencimento maio/04 fechou em R$22,69/saca; R$24,60/saca para julho/04; R$25,61/saca para setembro/04; e R$26,70/saca para o vencimento novembro/04. Na Síntese Agropecuária nº 222, foi apresentada oportunidade de operação, denominada spread, entre os vencimentos maio/04 e novembro/04, com taxa de 38,8% ao ano, que segundo analistas apresentava crescimento. Atualmente, essa taxa permanece nos mesmos níveis (38,5% ao ano), possibilitando estratégia de redução do spread por meio da compra do vencimento mais curto (maio/04) e venda do vencimento mais longo (novembro/04). A explicação econômica deve-se aos fatores atuais que estão influindo no preço da mercadoria, confirmando-se a redução da safrinha e, conseqüentemente, baixo estoque final. Os preços presentes podem se deslocar para cima mais fortemente que os futuros, provocando queda no spread.
A volatilidade diária do contrato futuro de milho do vencimento maio/04 esteve em elevação, próxima de 3% ao dia no início de março. A partir da segunda semana até o início de abril, declinou, estabilizando-se entre 1% e 1,5% ao dia, como mostra o Gráfico 2.
(Ver anexo no cabeçalho e rodapé desta página) Esses números não devem ficar abaixo de 1% nos próximos dias, em função da indefinição do número fechado da safrinha. Prevêse, dessa forma, volatilidade acima dos padrões normais nos contratos futuros de milho.
O volume de contratos futuros em aberto situa-se perto de 3 mil contratos, possibilitando aos agentes participantes do mercado futuro reverter ou rolar suas posições com tranqüilidade.
Wilson Motta Miceli , [email protected]
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