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As cotações da soja, passado o impacto do relatório do USDA do dia 12/01, estagnaram nestes últimos dias, fechando o dia...


As cotações da soja, passado o impacto do relatório do USDA do dia 12/01, estagnaram nestes últimos dias, fechando o dia 19/01 em US$ 14,11/bushel.

As cotações estão muito elevadas, não encontrando justificativa na relação “oferta x demanda” do produto no mercado mundial. O que existe, e já de muito tempo, é uma contínua pressão especulativa do capital financeiro, que busca igualmente compensar a fraqueza permanente do dólar no mercado. Estes preços, portanto, são artificiais em relação ao mercado real e, num determinado momento, deverão ser severamente corrigidos. Lembramos que o próprio USDA, em seu relatório passado, coloca como preço médio do bushel, para este ano de 2010/11, o valor de US$ 11,70.

Para consolidar tal posição, a produção mundial de oleaginosas em 2009/10 teve um total de 441,11 milhões de toneladas, sendo 11% superior aos 396,31 milhões do ano comercial anterior. A projeção de produção para 2010/11 é de 442,63 milhões de toneladas, ou seja, apenas 0,35% maior que a anterior.

Por sua vez, a produção mundial de soja alcançou em 2009/10 o montante de 260,09 milhões de toneladas, com avanço de 23% sobre os 211,96 milhões de toneladas do ano comercial anterior. A projeção inicial para 2010/11 aponta redução na ordem de 1%, passando a 257,78 milhões de toneladas.

Já no Brasil, a produção do grão na safra 2009/10 fechou em 68,073 milhões de toneladas, sendo 16% superior aos 58,705 milhões de toneladas do ano anterior. Para 2010/11, há projeção de aumento de área de 3% e potencial de safra 1% menor, proporcionada pela possível influência do fenômeno La Niña.

Os registros de exportação nos EUA, até o dia 06 de janeiro, para a soja chegam a 495 mil toneladas para a temporada 2010/11, contra 489 mil na semana anterior e 754 mil toneladas em 2009. No acumulado desde setembro o volume alcança 35,97 milhões de toneladas, contra 32,96 milhões de toneladas em 2009.

Por outro lado, os embarques de soja pelos EUA, na semana encerrada em 13/01, chegaram a 1,17 milhões de toneladas, acumulando 24,1 milhões desde setembro, quando iniciou o atual ano comercial, contra 23,1 milhões no mesmo período do ano anterior.

Em relação aos esmagamentos de soja, também nos Estados Unidos, segundo a Associação dos Processadores de Óleos Vegetais, o volume atingiu 3,96 milhões de toneladas em dezembro. Em novembro o processamento somou 4,05 milhões de toneladas e em dezembro de 2009, o número foi de 4,47 milhões de toneladas.

Na Argentina, o plantio de soja para a safra 2010/11, até a última semana, atingiu 94% ou 17,68 milhões de hectares da área total prevista de 18,5 milhões de hectares, segundo dados divulgados pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA). Devido aos problemas com a seca, a referida Bolsa estima uma forte redução na safra de soja, com a mesma podendo ficar em 47 milhões de toneladas, após 55 milhões no último ano. Este fato vem auxiliando na pressão de alta sobre os preços internacionais.

Ainda em referência ao país vizinho, após um período de estiagem por causa do fenômeno climático La Niña, as chuvas do final de semana anterior trouxeram alívio parcial aos produtores rurais, especialmente na província de Buenos Aires, a maior beneficiada com as precipitações. Porém, as chuvas foram bastante irregulares e não foram suficientes para reverter o quadro de seca de algumas regiões.

Por sua vez, a China comprou 19,064 milhões de toneladas de soja em grão no Brasil em 2010. Em 2009, as compras chinesas totalizaram 15,940 milhões de toneladas, proporcionando um acréscimo de 20%. A China deve importar 4,55 milhões de toneladas de soja em janeiro, aumentando em 36% a estimativa inicial para este mês. Em isso ocorrendo, o volume será 12% superior ao realizado em janeiro de 2010.

No Brasil, os preços se mantiveram firmes, embora a leve queda nestes últimos dias. O quadro pouco se alterou, com Chicago permanecendo com preços elevados, porém, o câmbio funcionando negativamente, ao operar entre R$ 1,66 e R$ 1,68 apesar das decisões do Banco Central. A média no balcão gaúcho, nesta semana, ficou em R$ 45,41/saco, enquanto os lotes atingiram entre R$ 51,00 e R$ 51,50/saco. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 45,10/saco em Rondonópolis (MT) e R$ 49,80/saco em Cascavel (PR).

O prêmio, nos diferentes portos brasileiros, para março próximo, oscilou entre 36 e 80 centavos de dólar por bushel. Quanto mais se aproxima a colheita, maior é a tendência de prêmios menores. No Golfo do México (EUA) o prêmio ficou entre 55 e 60 centavos e em Rosário (Argentina) entre 39 e 47 centavos de dólar por bushel.

Numa projeção de preços futuros, para abril no balcão gaúcho, com base na atual cotação do bushel para maio próximo e no atual nível de câmbio, temos que o preço do saco da oleaginosa ao produtor poderá girar entre R$ 44,00 e R$ 46,50. Todavia, se levarmos em consideração a média do USDA, o preço recua para níveis entre R$ 36,30 e R$ 38,50/saco. Nesse momento, a referência de preço para março no Paraná é de US$ 31,50/saco (R$ 52,92/saco ao câmbio de hoje) para os lotes. No Rio Grande do Sul níveis de compra no interior variando entre R$ 50,50 e 51,00/saco igualmente nos lotes. No Mato Grosso do Sul a safra nova, para março, está cotada a R$ 45,50/saco no momento. Em Goiás o preço é de R$ 46,00 para março e, em Minas Gerais, R$ 48,50/saco para abril. Em Santa Catarina, para maio, o preço indicado é de R$ 47,00. Igualmente para maio, na Bahia o valor é de US$ 27,30/saco (R$ 45,86) e no Maranhão US$ 26,00/saco (R$ 43,68).

Apesar dos efeitos do La Niña no Rio Grande do Sul, ainda limitados, a AgRural estima uma safra de soja recorde no Brasil, com o volume final podendo chegar a 69,65 milhões de toneladas neste ano. Caso isso se confirme, não há dúvida de que haverá uma pressão baixista sobre os preços nacionais no primeiro semestre. Já a Abiove indica um volume final de 67,2 milhões de toneladas.

Por outro lado, como sempre acontece, bastou o preço da soja melhorar novamente que os insumos voltaram a subir de preço. O calcário agrícola subiu em janeiro, com a tonelada em São Paulo chegando a R$ 43,00 (sem frete e a granel), com alta de 4,4% em relação a dezembro e 18% em relação a janeiro de 2010. No Centro-Oeste o insumo subiu 5% em relação ao mês anterior e 9,7% em relação a um ano atrás. No Paraná e em Minas Gerais a média ficou em R$ 17,70 e R$ 36,50 por tonelada, respectivamente. (cf. Scot Consultoria)

Enfim, a venda futura da soja avançou bem neste ano. No Mato Grosso, por exemplo, 63% da safra já teria sido comercializada, com uma estimativa de preço médio, para março, em US$ 20,00/saco. Ao câmbio de hoje isso equivale a R$ 33,60/saco para a soja convencional. Já a soja transgênica teria sido negociada, na média, a US$ 19,50/saco. Ou seja, a diferença entre os dois tipos de soja é de apenas US$ 0,50/saco. Vale destacar ainda que os melhores preços futuros obtidos para a convencional foram ao redor de US$ 25,00/saco e para a transgênica US$ 23,00/saco naquele Estado.

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