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Informativo mensal do mercado mundial do arroz


Tendências do Mercado

Em fevereiro, os preços mundiais se mostraram mais firmes devido a uma forte demanda de importação. A queda do dólar frente às principais moedas asiáticas também contribuiu para fortalecer os preços mundiais. Os exportadores, em sua maioria, registram um avanço nas vendas externas em relação ao ano passado na mesma época. Vietnã e Paquistão veriam assim suas vendas melhorar neste ano. Mas por outro lado, as previsões indicam por enquanto uma contração das exportações tailandesas e indianas. Nos Estados Unidos, as exportações permanecem estáveis, assim como no Mercosul. Condições climáticas desfavoráveis podem afetar novamente os países do sul da Ásia, enquanto nas demais regiões do continente asiático a produção de arroz seria menos impactada. O comércio mundial poderia, então, aumentar ligeiramente e os preços mundiais subir de forma menos significativa.

Em fevereiro, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) subiu 2,3 pontos para 183,6 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 181,3 pontos em janeiro. No início de março, o índice IPO mantinha-se firme em 186 pontos.  

Produção e Comercio Mundiais

Segundo a FAO, a produção mundial em 2015 caiu apenas 0,5% para 740,2 milhões de toneladas de arroz em casca (491,4Mt de arroz beneficiado) contra 743,8Mt em 2014, uma safra já fraca. Essa contração foi observada especialmente nas grandes regiões da Ásia, onde chuvas tardias ou insuficientes afetaram as colheitas. A produção também caiu nos Estados Unidos por falta de água. Em contraste, a produção aumentou no Mercosul, graças a melhores condições climáticas. O impacto da seca e os baixos preços mundiais continuam pesando negativamente sobre os plantios no mundo. As perspectivas em 2016 não são muito otimistas devido ao retorno do El Niño. No entanto, a contração na produção global pode ser menos importante do que o esperado. O uso do arroz para a alimentação animal (4% do uso total) poderia aumentar 3% em 2016 por causa da má qualidade de parte dos estoques globais, especialmente na China e na Tailândia.

Em 2015, o comércio mundial caiu apenas 1% para 45,1Mt contra o recorde de 45,5Mt em 2014. No início de 2015, a demanda no Sudeste Asiático foi relativamente baixa, melhorando durante o último trimestre para compensar a contração das colheitas 2015-2016. Essa demanda de importação adicional deve continuar em 2016. Mas, por enquanto, as previsões indicam um aumento de apenas 0,5% em relação a 2015. As disponibilidades de exportação, apesar de serem menores este ano, devem ser suficientes para cobrir esta nova demanda e também limitar a pressão sobre os preços mundiais.

Os estoques mundiais de arroz no final de 2015 se mantiveram relativamente estáveis em 172Mt. Em vez disso, as previsões para 2016 indicam uma contração de 3% para 167Mt, ou 33% do consumo mundial, seu nível mais baixo nos últimos quatro anos.

Atualidade do mercado mundial

Na Tailândia, os preços do arroz subiram novamente, numa média de 3,5%. As exportações em 2015 baixaram 11% para 9,8Mt contra 11Mt em 2014. A competição foi dura, especialmente no mercado de arroz quebrado e parboilizado com destino à África, principal cliente da Tailândia. Em 2016, as perspectivas comerciais são mais otimistas graças a preços mais competitivos e a uma recuperação na demanda de importação asiática. As exportações tailandesas já seriam 25% superiores em comparação ao ano passado, na mesma época. Em fevereiro, o Tai 100% B foi cotado a US$ 381/t Fob contra $ 369 em janeiro. O Thai parboilizado também subiu para $ 378 contra $ 364. O arroz quebrado A1 Super, por sua vez, subiu para $ 333 contra $ 323 anteriormente. No início de março, os preços se mostravam um pouco mais baixos devido às novas ofertas do governo a partir dos antigos estoques públicos.

No Vietnã, os preços externos se mantiveram relativamente estáveis. Em 2015, as exportações cresceram 4% para 6,6Mt contra 6,3Mt em 2015. O governo vietnamita pretende aumentar novamente as exportações em 2016, graças a preços mais competitivos. As autoridades também buscam diversificar seus mercados externos, especialmente nos países ocidentais, assim como no Japão e Coreia do Sul. Por enquanto, seus principais clientes são a China, a Indonésia e as Filipinas. Somente a China absorve um terço das exportações vietnamitas. As vendas continuam a progredir graças à forte demanda asiática. Estas já haviam duplicado em relação ao ano anterior no mesmo período. Em fevereiro, o Viet 5% permaneceu estável em $ 358/t. Já o Viet 25% subiu para $ 350 contra $ 346 anteriormente. No início de março, os preços se mantinham firmes.

Na Índia, os preços subiram 2%. Isto se deve a menores disponibilidades de exportação e à contração da produção indiana afetada pelo fenômeno climático El Niño. Apesar da recuperação na demanda de importação asiática, as exportações indianas poderiam marcar uma forte queda em 2016, para 9Mt contra 11,5Mt em 2015. Em fevereiro, o arroz indiano 5% subiu para $ 362/t contra $ 355 em janeiro.  O arroz indiano 25% também se revalorizou a $ 331 contra $ 328. No início de março, os preços continuavam firmes. No Paquistão, os preços de exportação subiram 1%. As exportações têm sido menos ativas durante os primeiros meses do ano, ao contrário de seus principais concorrentes. O atraso já seria de 6% em relação ao ano passado, na mesma época. As vendas de arroz basmati em 2015 se contraíram fortemente em 40% por causa da forte concorrência com a Índia dentro de um mercado muito exigente. No entanto, as vendas de arroz não aromático compensaram estas perdas, e no total as exportações paquistanesas aumentaram 7% em relação a 2014. Em fevereiro, o Pak 25% foi cotado a $ 314/t contra $ 311/t em janeiro. No início de março, os preços se mantinham estáveis.

Nos Estados Unidos, em contraste com os mercados asiáticos, os preços novamente diminuíram 1,5% por causa das ofertas destinadas ao Oriente Médio que tardam a ser finalizadas. O diferencial de preços com a Ásia é agora inferior a $ 100/t. Em fevereiro, as exportações caíram novamente atingindo cerca de 200.000 toneladas, contra 220.000 toneladas em janeiro. O atraso acumulado já seria de 20% em relação ao ano passado, na mesma época. O preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 diminuiu para $ 464/t contra $ 471 em janeiro. Na Bolsa de Chicago, os preços futuros do arroz em casca também diminuíram, marcando $ 236/t no final de fevereiro contra $ 247 um mês antes. No início de março, os preços futuros continuavam fracos em $ 234.

No Mercosul, os preços de exportação também baixaram pelo terceiro mês consecutivo, devido à uma oferta abundante de exportação. A baixa acumulada é de 15% desde o início do ano, passando assim por baixo dos preços norte-americanos. No Brasil, as vendas externas caíram em fevereiro, para 50.000 t (base arroz beneficiado) contra 65.000 t em janeiro. No entanto, elas marcam um avanço de 40% em relação ao ano passado, na mesma época. Em fevereiro, o preço indicativo do arroz em casca brasileiro subiu 3%, para $ 211/t contra $ 205 em janeiro, devido, em grande parte, à valorização do real em relação ao dólar. No início de março, o preço do arroz em casca se mantinha firme em $ 217.

Na África Subsaariana, a demanda de importação continua forte e deve chegar entorno de 14,5Mt em 2016, ou 45% das necessidades do continente. A produção de arroz caiu 1% em 2015 devido às más condições climáticas em quase todas as regiões africanas. Na África Ocidental, os países mais afetados foram Nigéria e Gana. Porém, a produção melhorou em Mali, Guiné e Senegal, graças a subsídios públicos para estimular as cadeias produtivas do arroz.

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