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O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq-USP) mostra ...


O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq-USP) mostra que o volume de leite captado pelos laticínios de sete estados em janeiro diminuiu 2,88% quando comparado a dezembro passado. Com isso, o preço médio pago ao produtor de leite – pagamento de fevereiro referente à producao de janeiro – aumentou 2,32% frente ao valor de janeiro – este relativo à produção de dezembro/06. Esse percentual também se refere à média ponderada de sete estados – RS, SC, PR, SP, MG, GO e BA. Veja cotações regionais abaixo.

A queda no volume de leite captado pelos laticínios em janeiro não é incomum. De acordo com o ICAP-L/Cepea, iniciado em junho de 2004, o mês de janeiro sempre teve um volume de leite menor que dezembro, com a redução oscilando entre 1,74% e 3,78%.

Segundo pesquisadores do Cepea, o que aconteceu neste ano, em especial, foi que muitas estradas estavam ruins pelo grande volume de chuvas que caiu em diversas regiões produtoras de leite. Outro fato é que o excesso de chuva também prejudica a produção das vacas, uma vez que o excesso de barro causa desconforto aos animais, diminuindo a ingestão de alimentos e, conseqüentemente, o leite.

Pesquisadores do Centro observam que, no período de 2005 a 2007, o preço pago em fevereiro também esteve maior que o pagamento anterior (de janeiro). Os aumentos dos valores recebidos, porém, não ocorrem na mesma proporção que as quedas nos volumes, limitando-se ao intervalo de 0,5% a 3%. Vale destacar que, caso a análise seja estendida para período mais longo, o preço do leite em fevereiro nem sempre foi maior que o de janeiro.

Quanto à tendência de preços ao produtor, pesquisas do Cepea revelam que 59% dos seus colaboradores que atuam na compra de leite (profissionais de laticínios), distribuídos em sete estados, acreditam em novos acréscimos para o próximo pagamento. Essa opinião significa, para o produtor, perspectivas ainda melhores que as do mês anterior, quando apenas 21% declararam apostar em reajustes dos preços pagos em fevereiro.

Os agentes que acham que os preços do leite podem recuar representam somente 2,2% da amostra, sendo que os 38,7% restantes reportam estabilidade para o próximo pagamento.

A diminuição do volume de leite, de acordo com o histórico, perdura até meados do ano. Essa sazonalidade reflete, em parte, o pagamento do “extra-cota”, que ocorria em larga escala até recentemente e ainda é marcante na memória do produtor e de várias empresas. Normalmente na época da seca, as empresas fazem a chamada “formação de cota”, ou seja, a média do volume de leite entregue por um produtor no período da seca determina o volume a que ele terá direito a entregar ao laticínio na época da safra. O que exceder a esta média é chamado de “extra-cota” e sofre deságio.

Em 2006, por exemplo, o diferencial entre o mês de menor produção, maio, e o de maior produção, dezembro, foi de 19,75%, de acordo com os dados do ICAP-L/Cepea. Muitos poderão alegar que essa distância foi agravada pelos preços muito abaixo da média histórica em 2006. Contudo, pesquisadores do Cepea explicam que, se olharmos para 2005, quando os preços ao produtor no primeiro semestre foram muito bons, constatamos que o diferencial entre maio e dezembro também foi alto: 17,26%.

Os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) corroboram as constatações do ICAP-L/Cepea. Nos últimos nove anos, a variação média entre os meses de menor e maior produções esteve em 19,28% - na maioria dos anos, maio foi o mês de menor produção.

As mudanças no comportamento dos preços do leite, porém, vêm fazendo com que a maioria das empresas não pratique mais o famoso “extra-cota”. Isso se dá mais em função de outros fatores do que propriamente da variação entre o volume disponível entre a safra e a entressafra.

FEVEREIRO - O comportamento dos preços nas regiões pesquisadas pelo Cepea foi de elevação de janeiro para fevereiro, com destaque para Minas Gerais e Goiás, onde os reajustes superaram os 3%. Em Minas, o aumento foi de R$ 0,0182/litro e em Goiás, de R$ 0,0150/litro.

Os volumes de leite recebidos pelas processadoras nos dois estados – que são os maiores produtores do País – diminuíram. O volume de leite captado em Minas recuou 7,56% e em Goiás, de 1,70%.

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