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Crédito rural soma R$ 433 bilhões na safra 25/26

Juros elevados freiam investimentos no campo


Foto: Pixabay

O crédito rural destinado à agricultura empresarial, excluindo as operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), alcançou R$ 433 bilhões entre julho de 2025 e maio de 2026, no âmbito do Plano Safra 2025/2026. O volume representa uma queda de 5% em relação aos R$ 458,1 bilhões contratados no mesmo período da safra anterior.

Os dados constam no Boletim de Desempenho do Crédito Rural elaborado pelo Departamento de Financiamento (Defin), da Secretaria de Política Agrícola, com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central do Brasil.

O principal destaque do período foi o crescimento dos financiamentos voltados à industrialização. As contratações passaram de R$ 19,7 bilhões para R$ 31,5 bilhões, avanço de 59,5% em comparação com a safra anterior. Segundo o boletim, o resultado reflete a ampliação do processamento e da agregação de valor aos produtos agropecuários, com participação relevante das cooperativas. A industrialização também foi a única finalidade a registrar aumento no número de contratos, com alta de 17,7%.

As Cédulas de Produto Rural (CPR) mantiveram trajetória de expansão e somaram R$ 185,2 bilhões em contratações, crescimento de 8% em relação ao ciclo anterior. Com isso, o instrumento passou a representar 42,8% de todo o volume concedido na safra 2025/2026, ante 37,4% no período anterior, consolidando-se como a principal modalidade de financiamento do custeio agrícola.

Ao considerar conjuntamente as operações de custeio e as CPRs, o volume destinado ao financiamento da produção atingiu R$ 322,7 bilhões, recuo de apenas 2,1% frente à safra passada.

Outro segmento que apresentou crescimento foi o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). As concessões totalizaram R$ 56,4 bilhões, aumento de 4,3% na comparação anual. O desempenho foi atribuído às medidas adotadas no Plano Safra para ampliar a oferta de recursos aos médios produtores, incluindo o aumento das subexigibilidades dos depósitos à vista.

Em contrapartida, os programas de investimento registraram retração de 28,1%, refletindo a cautela dos produtores diante do cenário de juros elevados. Entre as linhas que mais recuaram estão o Programa de Financiamento à Agricultura Irrigada e ao Cultivo Protegido (Proirriga), com queda de 56%, o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop), com retração de 54%, e o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), que também registrou redução de 54%.

De acordo com o boletim, a execução abaixo do previsto nos programas de investimento indica que a principal limitação está na demanda por crédito, influenciada pelo custo financeiro das operações, e não na disponibilidade de recursos. O documento destaca ainda que as instituições financeiras adotaram critérios mais seletivos para a concessão dos financiamentos.

O cenário também é impactado pela instabilidade econômica internacional, pelo aumento da inadimplência, pela elevação dos custos de produção e pelos riscos climáticos enfrentados pelo setor nos últimos anos.

Entre as fontes de financiamento, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) Controlada apresentou crescimento expressivo, passando de R$ 927 milhões para R$ 28,8 bilhões. Com isso, tornou-se a segunda principal fonte de recursos controlados do crédito rural.

Já a LCA Livre registrou retração de 38%. Parte dessa redução foi compensada pelo avanço da Poupança Rural Livre, que cresceu 49,5%, equivalente a R$ 19,1 bilhões, alcançando R$ 57,6 bilhões em contratações.

Os recursos equalizáveis, que contam com taxas de juros subvencionadas pelo Tesouro Nacional, somaram R$ 48,9 bilhões na safra 2025/2026, com saldo remanescente de 47%. Segundo o boletim, a redução nessa modalidade está associada ao aumento das taxas de juros, à maior seletividade das instituições financeiras e à obrigatoriedade de cumprimento das exigibilidades dos depósitos à vista por cooperativas de crédito e bancos cooperativos, que migraram suas operações para essa fonte de recursos.

Na distribuição regional das concessões de crédito rural, excluídas as CPRs, a Região Sul liderou tanto em volume financeiro quanto em número de operações. Foram R$ 74,2 bilhões contratados em 131.109 operações. Já o Nordeste apresentou a maior retração em valor entre as regiões, com queda de 26% em relação ao mesmo período da safra anterior.

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