Qualidade do trigo preocupa e pressiona negociações
No Paraná, os primeiros lotes da nova safra apresentam redução do PH
Agrolink
- Leonardo Gottems
No Paraná, os primeiros lotes da nova safra apresentam redução do PH - Foto: Canva
A colheita de trigo no Sul enfrenta dificuldades provocadas pelo excesso de umidade, com reflexos na qualidade dos grãos e nas negociações. Segundo a TFAgroeconômica, as chuvas interromperam os trabalhos no Rio Grande do Sul, onde cerca de 3% da área havia sido colhida até o levantamento. Do volume retirado, 63% apresentou PH de 76 a 77 e 20% de 78 ou mais. Também foram identificadas cargas com níveis elevados de DON, entre 2.100 e 3.200.
No mercado gaúcho, o trigo argentino da safra velha foi indicado a US$ 305 por tonelada em Rio Grande e US$ 310 em Canoas, pressionando as cotações locais. Compradores sinalizam R$ 1.550 por tonelada pelo trigo velho, enquanto em Panambi o preço ao produtor subiu para R$ 75 por saca. A Emater-RS aponta riscos à produtividade e à qualidade após episódios de granizo, ventos fortes e doenças nas lavouras. A projeção é de 814.220 hectares na safra 2026.
Em Santa Catarina, a falta de trigo de qualidade e a queda do dólar ampliam a atratividade do produto importado. A Epagri prevê retração de 35% na área plantada em 2026/27 e colheita de aproximadamente 243 mil toneladas, 37% abaixo da temporada anterior. No mercado de balcão, os preços vão de R$ 72 por saca em Rio do Sul a R$ 80 em Xanxerê.
No Paraná, os primeiros lotes da nova safra apresentam redução do PH e do falling number, levando produtores a buscar renegociação de contratos. As ofertas de trigo tipo 1 diminuíram, e as indicações CIF moinho variam de R$ 1.550 por tonelada para entrega em setembro a R$ 1.450 em novembro. O trigo paraguaio foi cotado a US$ 320 nos Campos Gerais e o argentino a US$ 325 em Paranaguá. Com a oferta doméstica restrita, os moinhos podem ampliar as compras externas.