Quem guardar milho agora pode perder dinheiro
Parte da produção pode ser mantida disponível
Agrolink
- Leonardo Gottems
Parte da produção pode ser mantida disponível - Foto: Divulgação
O mercado do milho atravessa um período de recuperação moderada, sustentado por riscos climáticos e pela redução gradual dos estoques, mas ainda limitado pela perspectiva de ampla oferta global. Segundo análise da TF Agroeconômica, o momento exige decisões comerciais cautelosas, com foco em proteção de margens, vendas escalonadas e avaliação rigorosa dos custos de carregamento.
Para os agricultores, a recomendação é aproveitar a melhora dos preços para comercializar o grão em etapas, evitando concentrar toda a estratégia na expectativa de novas altas. Parte da produção pode ser mantida disponível para capturar eventuais avanços caso o clima nos Estados Unidos piore, mas a armazenagem deve considerar despesas financeiras, seguro, perdas de qualidade e custo de estocagem.
Cooperativas devem reforçar operações de hedge, orientar os associados sobre o impacto do carregamento na rentabilidade e acompanhar de perto o clima no Corn Belt e o ritmo das exportações brasileiras. Para cerealistas, o cenário favorece compras em momentos de correção, gestão mais ativa dos estoques e uso de proteção contra a volatilidade internacional.
As indústrias de ração podem manter aquisições escalonadas, aproveitando períodos de realização de lucros em Chicago, sem antecipar grandes volumes enquanto persistirem dúvidas sobre a safra norte-americana. Já as usinas de etanol devem avaliar a cobertura de matéria-prima para os próximos meses e proteger margens diante do risco de menor disponibilidade interna no segundo semestre.
A tendência no Brasil segue de alta gradual, impulsionada pelo consumo dos estoques da safrinha e pela possível expansão das exportações. Mesmo assim, o avanço tende a ser moderado, e o ganho futuro só será vantajoso quando superar os custos de manter o milho armazenado.