“Todas soluções Indigo estarão no Brasil em 2 anos”

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“Todas soluções Indigo estarão no Brasil em 2 anos”

Entrevista com Dario Maffei, Vice President of Global Markets Hedge da Indigo
Por: -Leonardo Gottems
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Dario Maffei, Vice President of Global Markets Hedge da Indigo, tem formação pela Carlson School of Management e pela Birckbeck, University of London. Desde o início do ano lidera a Indigo no Brasil como CEO no País. Juntou-se à empresa após uma bem-sucedida carreira de 16 anos na Cargill, onde até recentemente coordenava a área de negócios para a America Latina. Nesta entrevista (originalmente publicada no Portal chinês Agropages) ele mostra o atual estágio da Indigo no Brasil e as projeções de futuro para aquela que é considerada uma das startups mais valiosas do mundo.

Qual é o atual estágio de operação da Indigo no Brasil?

Chegamos no Brasil há pouco tempo e começamos nossa operação comercial este ano, com nossa primeira oferta ao mercado. Trouxemos o conceito da biotecnologia para tratamento de sementes, que também foi nosso primeiro produto nos Estados Unidos. Nesta safra trabalhamos apenas com soja, mas na próxima já ofereceremos tratamento para milho e em breve algodão, porque esses produtos estão aguardando liberação dos registros.

Os produtos com tratamento biológico evoluem a cada ano, após testes de laboratório e de campo, os produtos que usamos no Brasil ainda são a primeira geração – nos EUA já estamos na terceira. Obtivemos aqui com este produto inicial um incremento de produtividade de 4,5% em comparação com tratamentos tradicionais. Com o produto que testamos para a próxima safra, esse índice evoluiu para 7% a 9%.

Também lançamos aqui nosso primeiro produto desenvolvido fora dos Estados Unidos. É o Indigo Ag Finance, uma solução digital de barter que é mais simples que as disponíveis anteriormente no mercado, sem burocracia, funcionando de forma agil e fácil. É tudo feito digitalmente, a aprovação de crédito é rápida. Os documentos são enviados digitalmente. O barter já é uma prática bastante difundida no Brasil, mas percebemos uma grande oportunidade de melhorar o produto em si e o processo.

Que soluções está oferecendo no País?

A Indigo global trabalha hoje com 12 linhas de produtos diferentes. Todas estarão disponíveis no Brasil em no máximo dois anos. Acreditamos em mudança sistêmica, por isso queremos corrigir imperfeições ao longo de toda a cadeia de valor do agronegócio, melhorando produtividade e rentabilidade do produtor, desenvolvendo práticas de agricultura regenerativa e, por consequência, melhorando a qualidade produto final oferecido ao consumidor. Temos a Indigo Transport, que facilita a logistica do transporte da safra, permitindo ao produtor negociar online o transporte desde o seu armazém até o destino. Temos a Indigo On-Farm Storage, que permite ao produtor segregar a produção, para vender onde ele realmente obtém valor diferenciado. Tem a Indigo Agronomic Services, que ajuda o agricultor a aplicar novas tecnologias em sua fazenda e desenvolver conjuntamente novas soluções a partir do serviço de consultoria agronomica independente.

Entre nossas propostas recentes o maior destaque é a Iniciativa Terraton, para viabilizar o sequestro de 1 trilhão de toneladas de CO2 da atmosfera através de práticas agrícolas regenerativas e sustentáveis. Ela começa com o Indigo Carbon, um mercado de créditos de carbono que dá ao produtor acesso a uma nova fonte de receita, visto que a Indigo irá remunera-lo por tonelada de carbono sequestrada. Essa receita pode ser gerada através de medidas simples e de fácil implementação, como o plantio direto, que já é bastante difundido no Brasil. Para apoiar essa iniciativa criamos também o Desafio Terraton, que vai premiar tecnologias e inovações para acelerar sequestro de carbono em solos agrícolas. É uma espécie de hackathon global, onde pesquisadores e startups podem inscrever soluções em três áreas críticas: métodos de amostragem e medição de carbono do solo; tecnologias que aceleram sequestro de carbono em solo; e ofertas financeiras inovadoras, que recompensem os produtores pela captura e manutenção de carbono. As soluções vencedoras podem receber bolsas e contratos em valor de até US$ 3 milhões, para implementar suas inovações em fazendas que usam tecnologia Indigo.

Que avaliação faz do mercado brasileiro, da aceitação e procura pelas soluções da Indigo?

Para quem vem de empresas mais tradicionais, como eu, é surpreendente a aceitação das propostas da Indigo no Brasil, porque elas são muito disruptivas. Creio que isso se deve ao perfil do produtor brasileiro, que é muito ligado em inovação e tecnologia. Calculamos que na safra 2019/2020 nossas sementes tratadas sejam plantadas mais de 400 mil hectares. Entre os clientes que fecharam conosco, quase 80% optaram por nossa solução de barter, o Indigo Ag Finance. Para uma empresa recém-chegada é um resultado impressionante.

Que dificuldades ou entraves tem percebido? E como o País poderia avançar?

As nossas dificuldades, são as mesmas de uma startup que esta começando. Construir dentro do agro um negócio baseado em inovação partindo do zero vai muito além de ter uma boa oferta comercial e uma boa força de vendas, tal como faz a indústria tradicional.

Tornar a marca Indigo conhecida, e fazer com que o mercado compreenda a nossa proposta de valor. Nosso negócio não é trivial, então, digo mercado porque é necessário ter o nosso valor percebido pelos produtores, parceiros comerciais, investidores e principalmente por bons profissionais que vejam a Indigo não só como um trabalho, mas como a possibilidade de ser um agente transformador do agro.

O que me deixa muito feliz é perceber o quanto as pessoas em geral estao receptivas a entender a nossa oferta. Recebemos feedbacks muito positivos de nossos clientes e parceiros, o que me faz concluir que temos muito mais oportunidades do que dificuldades.

O avanço da agricultura no Brasil passa pela adoção de práticas e tecnologias que permitam uma agricultura regenerativa, o que trará um incremento direto na produtividade por hectare, mudando assim o patamar da industria.

Como projeta a Indigo nos próximos anos no Brasil?

Acreditamos que o mercado brasileiro deve se tornar o maior fora dos Estados Unidos e pode chegar a responder por algo entre 40% e 50% do total. É o país com maior potencial agrícola do mundo, e os produtores estão sempre em busca de soluções que aumentem sua rentabilidade e permitam acessar novos mercados. Exatamente aí que nos encaixamos. Então nossas projeções são bastante otimistas – para a Indigo e para o país.
 


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