Economia de privilégios (II)
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Economia de privilégios (II)

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A economia de privilégios, que grassa no país, tem um padrão histórico. Em determinadas épocas ela é minimizada, via algumas reformas, porém, retorna. Isso porque, a partir de um certo momento, os governos sucumbem e começam a aumentar os gastos públicos sem aumentar igualmente as receitas, gerando déficit. Este vai aumentando até gerar uma crise fiscal, a qual leva a cortes de investimentos do Estado, fato que leva à estagnação da economia. Isso afeta o investimento privado, pois grande parte da poupança privada é alocada para financiar o déficit público.

Portanto, a estagnação do Brasil não vem de fora, embora nossa desorganização favoreça a ganhos inesperados por parte dos estrangeiros. São os erros de política econômica interna, sustentados por ações políticas de privilégios, de todos os lados do espectro político, o nosso principal problema. A solução passa por reformas estruturais. Neste contexto, o futuro governo federal terá duas questões cruciais a resolver inicialmente, se quiser melhorar o Brasil. A crise fiscal, pois precisamos uma consolidação fiscal entre 3% e 4% do PIB. Para isso, não basta apenas cortar despesas.

É preciso, igualmente, aumentar a carga tributária. Mas para quem? Ora, reduzir a renúncia tributária e “pegar os que pagam pouco imposto e fazer com que eles paguem mais”, proporcionalmente a sua renda. Chega de fazer os pobres e a classe média pagarem impostos desproporcionais, sustentando privilégios dos demais. Um remédio que todos, os hoje países capitalistas desenvolvidos, adotaram.

A segunda questão é a estagnação da economia. Temos que aumentar o crescimento de nosso produto potencial. Isso somente poderá ser feito com aumento expressivo da taxa de investimentos, em relação ao PIB, especialmente investimentos públicos em infraestrutura. Ora, no orçamento federal de 2022, o investimento público estabelecido é o menor da história brasileira. Sem isso, o investimento privado pouco virá. “Quando um candidato à presidência da República se pronunciar, é preciso perguntar quais seus planos para enfrentar a crise fiscal e o que ele vai fazer para combater a estagnação.” (cf. Conjuntura Econômica, FGV, fev/22) Passo seguinte, termos a capacidade de discernir se as respostas são coerentes e factíveis, ou, como seguidamente é o caso, não passam de demagogia. (segue) 


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