Como reduzir o mofo-branco na floração do feijão
Monitoramento é chave contra o mofo-branco
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O manejo integrado do mofo-branco durante a floração do feijoeiro é considerado uma das principais estratégias para preservar o potencial produtivo da cultura. A doença, causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, encontra nesse estágio as condições mais favoráveis para infecção, devido à presença de flores sensíveis, alta umidade no interior do dossel e temperaturas amenas. Entre dezembro de 2025 e dezembro de 2026, lavouras implantadas em períodos chuvosos deverão enfrentar maior pressão da doença, exigindo a combinação de práticas como rotação de culturas, uso de sementes sadias, manejo da arquitetura das plantas, irrigação adequada, monitoramento climático e aplicações preventivas de Fungicidas quando houver risco.
O mofo-branco preocupa os produtores justamente porque o patógeno pode sobreviver por vários anos no solo na forma de escleródios e possui ampla gama de hospedeiros. No feijão, os maiores prejuízos ocorrem quando a infecção acontece durante a floração e o início da formação das vagens, fase em que o dossel permanece mais fechado e úmido, favorecendo o avanço da doença. Nessa etapa, perdas de plantas, redução do número de vagens, aumento da quantidade de escleródios no solo e menor eficiência de aplicações tardias de Fungicidas estão entre os principais impactos observados.
O agente causal da doença apresenta um ciclo diretamente ligado às condições ambientais. Os escleródios permanecem viáveis no solo por anos e, sob umidade elevada e temperaturas amenas, podem germinar e formar apotécios, estruturas responsáveis pela liberação de milhões de ascósporos. Esses esporos se depositam sobre flores, pétalas e tecidos jovens do feijoeiro, iniciando a infecção quando encontram água livre proveniente de chuva, orvalho ou irrigação por aspersão. A partir das flores contaminadas, o fungo coloniza hastes e ramos, formando o característico micélio branco e produzindo novos escleródios, que retornam ao solo e garantem a continuidade do ciclo.
Os prejuízos provocados pelo mofo-branco vão além da redução da produtividade. A doença provoca morte de plantas em reboleiras, diminui o número de vagens por planta, compromete o enchimento dos grãos e reduz sua qualidade comercial. Além disso, aumenta o banco de inóculo no solo, elevando o risco para safras futuras e ampliando os custos de produção com novas intervenções fitossanitárias e medidas de manejo.
A definição das estratégias de controle deve considerar um conjunto de fatores, e não apenas o aparecimento dos primeiros sintomas. O histórico da área, a presença de escleródios no solo, a previsão de chuvas durante a floração, o sistema de cultivo, a arquitetura da lavoura e a identificação de focos iniciais são informações fundamentais para estimar o risco da doença. A recomendação é que a decisão sobre intervenções seja feita em conjunto com um engenheiro agrônomo, levando em conta o estágio da cultura e as condições climáticas previstas.
A redução do inóculo representa uma das bases do manejo integrado. Essa estratégia começa antes mesmo da floração e envolve a adoção de rotação de culturas com espécies menos suscetíveis, utilização de sementes certificadas, manejo adequado dos restos culturais e controle de plantas daninhas que possam servir como hospedeiras do fungo. Essas medidas reduzem gradualmente a quantidade de escleródios presentes no sistema de produção.
Outro fator importante é o manejo da arquitetura da lavoura. O objetivo é favorecer maior circulação de ar e reduzir o tempo de permanência da umidade sobre flores e folhas durante a floração. Para isso, produtores devem considerar espaçamento entre linhas, população de plantas e escolha de cultivares com arquitetura que favoreça melhor aeração do dossel, sempre de acordo com as recomendações técnicas para cada região produtora.
O manejo da irrigação também exerce papel decisivo na redução do risco da doença. Em sistemas por aspersão, a orientação é evitar irrigações prolongadas durante a noite, principalmente em períodos de elevada umidade relativa do ar. O ajuste da frequência e da lâmina aplicada, baseado no monitoramento da umidade do solo e da evapotranspiração, contribui para manter a produtividade sem prolongar o período de molhamento das flores. Sempre que possível, recomenda-se realizar a irrigação em horários que permitam a secagem mais rápida das plantas.
Os fungicidas permanecem como uma ferramenta importante no manejo do mofo-branco, mas sua utilização deve integrar um programa mais amplo de controle. Em áreas com histórico da doença e previsão de condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do fungo, aplicações preventivas durante o início da floração costumam apresentar maior eficiência do que intervenções realizadas após o aparecimento de sintomas. O posicionamento correto dos produtos, aliado à boa cobertura da parte superior e mediana das plantas e à rotação de mecanismos de ação, contribui para reduzir o risco de seleção de populações resistentes do patógeno.
Além do controle químico, especialistas recomendam integrar outras práticas de manejo. O monitoramento frequente da lavoura durante a floração, a identificação precoce de reboleiras, o manejo localizado quando necessário e a integração do controle do mofo-branco com programas voltados a outras doenças do feijoeiro ajudam a aumentar a eficiência das estratégias adotadas ao longo da safra.
O manejo do mofo-branco também deve estar alinhado às demais práticas agronômicas da propriedade. Solos bem estruturados e com boa drenagem favorecem plantas mais vigorosas, enquanto o controle adequado de plantas daninhas elimina hospedeiras alternativas do fungo. Sempre que possível, o planejamento da época de semeadura pode contribuir para que a floração ocorra em períodos historicamente menos favoráveis ao desenvolvimento da doença, reduzindo naturalmente a pressão do patógeno.
A adoção das medidas fitossanitárias exige o cumprimento das normas técnicas e da legislação vigente. A aplicação de fungicidas deve obedecer rigorosamente às orientações de rótulo e bula, respeitando doses, intervalos de aplicação, período de carência e culturas registradas. O receituário agronômico emitido por profissional habilitado é obrigatório, assim como o uso de equipamentos de proteção individual durante o preparo da calda, aplicação e higienização dos equipamentos. Também é fundamental realizar o descarte correto das embalagens e adotar práticas que evitem deriva e contaminação ambiental.
Para reduzir o risco de mofo-branco na floração do feijão, especialistas recomendam que o produtor avalie o histórico da área antes do plantio, utilize rotação de culturas, ajuste espaçamento e população de plantas para favorecer a ventilação do dossel, monitore constantemente as condições climáticas e a lavoura durante o florescimento, realize o manejo adequado da irrigação e considere o uso preventivo de fungicidas quando o risco for elevado, sempre com orientação técnica. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um engenheiro agrônomo em condições reais de campo.