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El Niño 2026 não significa excesso de chuva garantido, alerta meteorologista

Efeitos sobre a lavoura gaúcha só devem aparecer a partir da primavera


Eliana klering, Metereologista, professora UFPel e Conselheira da Câmara de Agronomia do CREA Eliana klering, Metereologista, professora UFPel e Conselheira da Câmara de Agronomia do CREA - Foto: Aline Merladete

Após a confirmação da atuação do fenômeno El Niño na última semana, a meteorologista Eliana Klering, professora da Faculdade de Meteorologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel ) e conselheira da Câmara Especializada de Agronomia do CREA-RS, comentou o que se pode esperar do fenômeno para o Rio Grande do Sul. De acordo com a especialista, a parte oceânica do fenômeno já está totalmente configurada, mas os efeitos sobre o clima gaúcho só devem se tornar perceptíveis a partir da primavera.

Em entrevista, Klering explicou que o El Niño resulta do acoplamento entre duas componentes: uma oceânica e uma atmosférica. Atualmente, segundo a meteorologista, apenas a parte oceânica já está plenamente configurada, enquanto a atmosfera ainda não respondeu à atuação do fenômeno. Essa defasagem é o motivo pelo qual, segundo ela, o inverno de 2026 não deve trazer alterações climáticas significativas associadas ao El Niño no Estado. As projeções indicam precipitações próximas da média histórica e temperaturas um pouco acima da média durante essa estação.

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O cenário começa a mudar a partir da primavera. Segundo dados do modelo geoestatístico do Laboratório de Climatologia Aplicada da Faculdade de Meteorologia da UFPel , citados por Klering, a estação deve registrar excesso de precipitação no Rio Grande do Sul. A meteorologista, no entanto, fez questão de ponderar a magnitude desse excedente: segundo ela, os níveis projetados não são alarmantes e devem ficar dentro do que a própria variabilidade climática natural da região já costuma produzir.

Questionada sobre as manchetes mais alarmistas que surgiram após a confirmação do fenômeno — incluindo comparações com o El Niño de 2015 —, Klering foi direta ao apontar o que considera um dos principais equívocos disseminados sobre o tema. "Um dos maiores mitos é achar que o El Niño provoca alteração climática em todas as estações aqui no Rio Grande do Sul", afirmou a meteorologista. Segundo ela, o impacto mais relevante do fenômeno costuma se concentrar em dois períodos específicos: a primavera do ano de início do El Niño — ou seja, os meses de setembro, outubro e novembro — e o outono do segundo ano do fenômeno, entre maio e junho do ano seguinte.

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A especialista também alertou para outro engano comum: associar automaticamente a atuação do El Niño a excessos de chuva muito acima da média em toda e qualquer safra. Como exemplo, Klering citou a safra 2004/2005, período em que o fenômeno também estava em atuação no Rio Grande do Sul, mas que, ainda assim, registrou uma das maiores perdas de safra já contabilizadas no Estado. Para a meteorologista, esse histórico reforça a necessidade de cautela na interpretação de cada novo episódio do fenômeno, já que sua atuação não segue um padrão automático ou linear de impacto.

Diante desse cenário, Klering recomendou que produtores rurais busquem informações em fontes confiáveis, sobretudo nos órgãos oficiais de meteorologia do Brasil e do Rio Grande do Sul, e evitem se basear em conteúdos sensacionalistas. Segundo a especialista, a comunidade de meteorologistas está em monitoramento constante da evolução do fenômeno, com o compromisso de divulgar informações fidedignas tanto para a sociedade em geral quanto para o setor produtivo.

Em termos práticos, a meteorologista apontou recomendações específicas para o momento atual da safra. Como o inverno tende a ser mais seco, ela sugere que os produtores aproveitem essa janela para antecipar o preparo do solo, adiantando operações enquanto as condições ainda são mais favoráveis. Segundo Klering, chegar à primavera — período em que se espera maior volume de chuvas — com as áreas já preparadas pode facilitar o planejamento das atividades subsequentes na propriedade.

Outra orientação destacada é a manutenção dos canais de drenagem das propriedades. Klering recomendou que produtores mantenham esses canais desobstruídos para evitar o acúmulo de água nas áreas mais baixas, especialmente diante da possibilidade de maior volume de chuvas na primavera. Segundo ela, essas duas medidas — preparo antecipado do solo e manutenção da drenagem — representam, no momento, as principais recomendações práticas para o setor produtivo gaúcho até a chegada da nova estação.

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