Manejo correto de fungicidas reduz risco de resistência do oídio no trigo
O uso repetitivo dos mesmos Fungicidas pode aumentar o risco de resistência
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Por Aline Merladete com colaboração e revisão de Ubirajara Fontoura, engenheiro agrônomo
O uso repetitivo dos mesmos Fungicidas pode aumentar o risco de resistência do oídio nas lavouras de trigo. A doença, causada por Blumeria graminis f. sp. tritici, encontra condições favoráveis em temperaturas entre 10 °C e 20 °C e ambientes com alta umidade relativa. O acompanhamento de ocorrência da doença, deverá ser criteriosa desde o inicio do desenvolvimento vegetativo, pois sua evolução poderá ser muita rápida.
O fungo possui ciclo curto e produz grande quantidade de esporos. Essa característica, associada ao uso frequente do mesmo modo de ação, favorece a seleção de indivíduos menos sensíveis aos fungicidas. Com o tempo, o controle pode perder eficiência.
No campo, um dos sinais de alerta é a continuidade da doença mesmo após a aplicação correta. Também pode ocorrer necessidade de diminuir o intervalo entre tratamentos, elevando o custo de produção e tornando a resposta ao controle químico menos previsível.
A estratégia começa pelo monitoramento. A recomendação é acompanhar a lavoura desde o perfilhamento e iniciar o controle enquanto os sintomas ainda estão concentrados nas folhas inferiores. Esperar que o oídio alcance as folhas superiores e os colmos aumenta a dificuldade de controle.
Outro ponto central é alternar fungicidas com diferentes modos de ação. Triazóis, estrobilurinas e carboxamidas estão entre os grupos citados. Aplicações consecutivas com o mesmo mecanismo devem ser evitadas, respeitando sempre o número máximo indicado para cada grupo durante o ciclo.
Misturas comerciais registradas com diferentes modos de ação também podem contribuir para reduzir a pressão de seleção. Mesmo nesses casos, é necessário seguir as orientações de bula e evitar misturas de tanque sem respaldo técnico.
A dose aplicada é outro fator importante. Subdoses podem favorecer a sobrevivência de indivíduos menos sensíveis, enquanto doses acima das recomendadas não eliminam o risco de resistência. Calibração do pulverizador, volume de calda adequado e boa cobertura das folhas fazem parte da estratégia.
O controle químico também deve ser integrado a outras práticas. Cultivares com melhor resistência, adubação nitrogenada equilibrada, população adequada de plantas e rotação de culturas ajudam a reduzir a pressão da doença.
Para o produtor, preservar a eficiência dos fungicidas depende de evitar o uso repetitivo de uma única ferramenta. Monitoramento, alternância de modos de ação, dose correta e manejo integrado ajudam a manter opções de controle disponíveis por mais tempo.
A rotação de culturas, população adequada de plantas, adubação nitrogenada equilibrada e uso de cultivares resistentes, deverão ser rotina na implantação da lavoura.