Milho: fatores de risco crescem com El Niño e fertilizantes mais caros
Fatores de risco para a próxima temporada começam a ganhar peso nas projeções
Foto: Leonardo Gottems
O mercado brasileiro de milho segue abastecido no curto prazo, mas os fatores de risco para a próxima temporada começam a ganhar peso nas projeções. Segundo Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado da StoneX, a atenção se volta para a safra 2026/27, em um cenário marcado por custos mais elevados de fertilizantes, possibilidade de El Niño e maior volatilidade cambial.
De acordo com o analista, após uma temporada excepcional, dificilmente a produção de verão repetirá o mesmo desempenho. Um dos pontos de atenção está nos fertilizantes, cujos custos mais altos podem limitar a área plantada. Além disso, um eventual padrão de El Niño aumenta o risco de atrasos na semeadura da soja, o que pode comprometer a janela ideal de plantio do milho safrinha. Esse risco é relevante porque a safrinha tem papel central no abastecimento brasileiro. Na estimativa de julho da StoneX, a combinação de uma safra de verão robusta com uma safrinha ainda volumosa mantém o mercado bem abastecido no curto prazo, mesmo com perdas pontuais em estados como Goiás e Minas Gerais.
A ampla disponibilidade interna ajuda a explicar a pressão observada sobre os preços do milho na B3 nas últimas semanas. Embora a demanda doméstica siga forte e em expansão, a baixa competitividade do milho brasileiro no mercado internacional tem contribuído para reter maior volume do cereal dentro do país. Segundo Bulascoschi, esse movimento também está ligado ao cenário externo. Em 2025, a produção recorde dos Estados Unidos reforçou a competitividade do país nas exportações globais. Em 2026, a Argentina também colhe uma safra histórica e ganha espaço no comércio internacional em meio à redução das tarifas de exportação.
A valorização do real ao longo dos últimos 18 meses completa esse quadro, reduzindo a atratividade do milho brasileiro no exterior. Para o segundo semestre, além do câmbio, que pode ficar mais volátil com a aproximação do ciclo eleitoral, o desempenho da safra norte-americana seguirá como fator decisivo para o equilíbrio global.
Na avaliação do analista da StoneX, uma nova safra cheia nos Estados Unidos tende a manter pressão sobre Chicago e limitar a recuperação dos preços domésticos. No entanto, esse cenário ainda não pode ser garantido no atual estágio de desenvolvimento da lavoura americana. Diante desse conjunto de fatores, a leitura da StoneX é de conforto no balanço brasileiro de milho no curto prazo. Para o médio prazo, porém, Bulascoschi avalia que os riscos parecem mais inclinados para uma recuperação dos preços do que para novas quedas.