Por que biofungicidas lembram os multissítios?
Nos fungicidas multissítios, a ação ocorre sobre diversos processos metabólicos
Nos fungicidas multissítios, a ação ocorre sobre diversos processos metabólicos - Foto: Divulgação
A comparação entre biofungicidas e Fungicidas multissítios ajuda a explicar como diferentes mecanismos de ação podem diminuir a probabilidade de resistência dos fungos. Segundo Fernando Souza, engenheiro agrônomo, com base em conteúdo adaptado de “Biocontrole em patologia de plantas” (2026), a analogia está justamente na capacidade de atuar simultaneamente por diferentes caminhos.
Nos fungicidas multissítios, a ação ocorre sobre diversos processos metabólicos do fungo ao mesmo tempo. Como vários alvos são atingidos, a probabilidade de surgimento de resistência é muito menor, pois a atuação não fica concentrada em apenas um ponto específico do patógeno.
Com os biofungicidas, a lógica apresenta uma característica semelhante, embora o funcionamento seja diferente. Esses produtos não possuem necessariamente um único alvo molecular. Pelo contrário, um mesmo microrganismo pode utilizar vários mecanismos de ação simultaneamente, ampliando as formas de interferência sobre a doença.
Entre os mecanismos diretos estão a antibiose, a competição e o hiperparasitismo. São processos que envolvem uma atuação direta sobre o fungo ou sobre as condições necessárias para seu desenvolvimento. Já entre os mecanismos indiretos aparecem a hipovirulência, a promoção de crescimento e a indução de resistência, associados também à interação com a planta.
É essa diversidade que sustenta a comparação com os fungicidas multissítios. A analogia não significa que biofungicidas e multissítios atuem da mesma forma, mas mostra que ambos podem evitar a dependência de um único mecanismo. No caso dos biofungicidas, essa característica está ligada à capacidade dos microrganismos de combinar diferentes formas de ação ao mesmo tempo.