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Presença do TiLV em países exportadores preocupa piscicultura brasileira

TiLV é conhecido por causar altas taxas de mortalidade em plantéis


Foto: Canva

Nos últimos três meses, mais de 3.500 toneladas de tilápia foram importadas, ampliando rapidamente a oferta no mercado brasileiro. O movimento tem reflexo direto nos preços pagos ao produtor, que já começam a registrar queda.

Segundo representantes do setor, o produto importado chega com valores mais baixos devido a diferenças estruturais de custo. Questões como carga tributária, exigências ambientais e despesas com insumos — como ração e energia — tornam a produção nacional mais onerosa.

“A tilápia importada chega ao Brasil com preços mais baixos por não ter de lidar com a carga tributária que enfrentamos, exigências ambientais rigorosas e custos extremamente elevados com ração, energia e licenciamento”, explica Marilsa Patrício, executiva da Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP).

Risco sanitário 

Além da pressão econômica, o avanço das importações traz uma preocupação adicional: a biossegurança. O destaque é o risco de introdução do vírus Tilapia Lake Virus (TiLV), ainda inexistente no Brasil.

O TiLV é conhecido por causar altas taxas de mortalidade em plantéis, podendo comprometer rapidamente a produção. “Historicamente, o Vietnã sofre com o TiLV, que pode causar até 90% de mortalidade dos peixes. Nós não temos esse vírus em nosso país e a importação de tilápia com origem desconhecida pode colocar em risco décadas de controle sanitário”, alerta Marilsa.

Peixe SP alerta para os perigos econômicos e sanitários da importação de tilápia do Vietnã

A eventual entrada do vírus poderia impactar não apenas a produção, mas também a confiança sanitária do país, com possíveis reflexos no comércio interno e externo.

O que é Tilapia Lake Virus (TiLV) 

O Tilapia Lake Virus (TiLV) é um vírus infeccioso que afeta a tilápia, uma das espécies de peixe mais produzidas e consumidas no mundo. Identificado pela primeira vez na última década, ele está associado a surtos de alta mortalidade em criações aquícolas, especialmente em países da Ásia, África e Oriente Médio. O vírus atinge diferentes fases de desenvolvimento dos peixes e pode provocar sintomas como letargia, perda de apetite, alterações na coloração e lesões em órgãos internos, comprometendo rapidamente a produção.

Do ponto de vista sanitário, o TiLV é considerado uma das principais ameaças emergentes para a piscicultura global, justamente pela sua capacidade de se espalhar com facilidade em ambientes de cultivo intensivo. Ainda não há tratamento específico eficaz ou vacina amplamente disponível, o que torna as medidas de biossegurança — como controle de origem, monitoramento sanitário e restrição de movimentação de animais — fundamentais para evitar sua disseminação. Países livres do vírus, como o Brasil, mantêm vigilância rigorosa para impedir sua entrada e preservar a sanidade dos plantéis.

 

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