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Vaquinha no trigo preocupa produtores no início do ciclo da cultura

Larva-alfinete, popularmente conhecido como vaquinha é de difícil identificação


Foto: Divulgação

A larva-alfinete, fase jovem do besouro Diabrotica speciosa — popularmente conhecido como vaquinha em sua fase adulta —, vem preocupando produtores de trigo no início do ciclo da cultura. A praga ataca raízes e colo das plantas justamente no período de formação do estande, com maior incidência em áreas que tiveram milho, pastagens ou outras gramíneas na rotação, especialmente quando o solo está úmido. Diante da dificuldade de reverter falhas de estande após a emergência das plantas, especialistas apontam o tratamento de sementes com Inseticidas como a principal estratégia de prevenção, aliado a práticas de manejo integrado.

De corpo alongado, coloração clara e cabeça escurecida, a larva-alfinete é de difícil identificação no solo, principalmente em áreas argilosas e úmidas. O ataque acontece de forma subterrânea: as larvas se alimentam das raízes primárias e secundárias, da região do coleto e, em casos mais severos, da base do colmo das plantas jovens. O resultado é a redução na absorção de água e nutrientes, o que provoca atraso no desenvolvimento, amarelecimento e, nos casos mais graves, morte das plantas. Por isso, o problema costuma ser percebido apenas quando já aparecem falhas de emergência ou manchas de plantas murchas na lavoura. Os prejuízos não se limitam à perda de plantas por metro quadrado.

A desuniformidade no desenvolvimento dificulta o manejo de adubação e o uso de reguladores de crescimento, além de complicar a colheita. As falhas na linha de semeadura ainda favorecem o avanço de plantas daninhas, elevando a pressão por herbicidas. De acordo com estudos em cereais de inverno, perdas de estande acima de determinados patamares dificilmente são compensadas pelo perfilhamento das plantas restantes — sobretudo em semeaduras tardias ou solos de menor fertilidade —, o que reforça a importância de proteger o sistema radicular logo nas primeiras semanas após a semeadura.

A decisão de incluir inseticida no tratamento de sementes deve considerar o histórico da área, a presença de plantas hospedeiras — como gramíneas espontâneas e milho voluntário — e as condições de solo e clima no momento da semeadura. Em áreas de risco médio a alto, o investimento costuma se justificar diante do custo de uma eventual ressemeadura. Já em talhões sem histórico de infestação e com boas práticas de rotação, a necessidade tende a ser menor. Em qualquer cenário, a recomendação é que a decisão seja sempre validada por um engenheiro agrônomo.

Entre os grupos químicos mais usados no tratamento de sementes contra pragas de solo estão os neonicotinoides — caso do imidacloprido, do tiametoxam e da clotianidina —, de ação sistêmica, absorvidos pela raiz e translocados pela planta. Também são utilizados fenilpirazóis, como o fipronil, que atuam por contato e ingestão próximo à semente. A escolha do produto deve levar em conta o registro específico para a cultura do trigo e para o controle de pragas de solo ou de Diabrotica speciosa, já que nem toda formulação disponível no mercado tem essa indicação em bula.

Na prática, o tratamento raramente é feito de forma isolada: a combinação com Fungicidas — voltados ao controle de doenças como Fusarium e Helminthosporium — é praticamente regra no trigo. Isso exige respeitar as doses recomendadas, verificar a compatibilidade entre os produtos e evitar volumes excessivos de calda, que podem comprometer a fluidez da mistura e aumentar o risco de dano ao tegumento da semente. Em caso de dúvida sobre compatibilidade, a orientação é testar previamente um pequeno lote, avaliando germinação e vigor antes de tratar todo o volume destinado à semeadura.

O processo completo passa por planejamento com meses de antecedência, seleção de sementes de alto vigor e germinação, preparo da calda na ordem indicada pelos fabricantes, aplicação com equipamento calibrado para garantir cobertura uniforme, secagem à sombra em local ventilado e armazenamento em ambiente fresco e seco. O registro de cada etapa — data, produtos utilizados e lote de sementes — é recomendado para garantir rastreabilidade. Apesar de central, o tratamento de sementes não deve ser a única ferramenta de controle. O manejo integrado da larva-alfinete prevê rotação de culturas, controle de plantas daninhas hospedeiras e de milho voluntário na entressafra, manejo adequado de restos culturais e monitoramento da presença de vaquinhas adultas em safras anteriores — o que ajuda a estimar o risco para o ciclo seguinte.

A combinação dessas práticas tende a aumentar a eficiência do controle químico e a reduzir a pressão de seleção por resistência da praga. O uso de Equipamentos de Proteção Individual — luvas, avental, máscara, óculos e botas — é obrigatório em todas as etapas do processo, da preparação da calda ao manuseio das sementes já tratadas. As orientações de bula quanto a prazos de reentrada e descarte de embalagens devem ser seguidas à risca, assim como a identificação clara do lote tratado, que nunca pode ser destinado à alimentação humana ou animal. O acompanhamento técnico de um engenheiro agrônomo permanece essencial para garantir segurança legal, ambiental e operacional em toda a cadeia do tratamento.

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