Soja recua, mas prêmios mantêm preços nos portos
Goiás lidera produtividade e bate recorde na soja

Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 22 a 28 de agosto e divulgada nesta quinta-feira (28), os preços da soja no Brasil apresentaram leve recuo, influenciados pelo câmbio, que permaneceu próximo de R$ 5,41 por dólar, pela queda em Chicago e pela estabilidade dos prêmios.
A Ceema informou que “a média gaúcha ainda registrou um valor elevado, a R$ 126,12 por saca, porém, as principais praças locais trabalharam em R$ 123,00”. Nas demais regiões do país, os valores oscilaram entre R$ 116,00 e R$ 124,00 por saca.
Apesar do recuo, os prêmios continuam sendo o destaque do mercado, impulsionados pelas compras chinesas. O produto disponível segue alcançando prêmios entre US$ 1,60 e US$ 1,70 por bushel, o que mantém os preços nos portos acima de R$ 140,00 por saca. Entretanto, de acordo com a Brandalizze Consulting, “para a nova safra o ritmo de comercialização segue lento, sendo o mais atrasado em 10 anos no país”. Os preços base porto para a safra nova estão entre R$ 5,00 e R$ 8,00 por saca abaixo dos da safra 2024/25, fator que ajuda a explicar a baixa nas vendas futuras.
Em relação à produção, a AgResource Brasil estima que a safra 2025/26 deverá ficar entre 175 e 176,5 milhões de toneladas, o que pode representar um aumento de até 3% em relação ao ciclo anterior. A empresa destacou que “se espera um aumento entre 1,5% e 2% na área total semeada, podendo chegar a 48,7 milhões de hectares”.
No cenário estadual, Goiás registrou recorde na última safra, com produção de 20,4 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% sobre o ano anterior. Com isso, o estado passou a liderar a produtividade nacional e assumiu a terceira posição em volume produzido, superando o Rio Grande do Sul, que colheu 14,3 milhões de toneladas após enfrentar nova seca. O Paraná ficou em segundo lugar, com 21,5 milhões de toneladas, enquanto o Mato Grosso manteve a liderança nacional com 50,6 milhões, representando 29,8% da produção do país.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional de soja na safra 2024/25 foi de 169,6 milhões de toneladas. A área semeada em Goiás subiu para 4,9 milhões de hectares, alta de 2,5% em relação ao ciclo anterior. A produtividade estadual cresceu 18,4%, atingindo 4.100 quilos por hectare, o equivalente a 68,3 sacas.
As exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) e do milho devem atingir 18,8 milhões de toneladas em agosto, o maior volume mensal já registrado. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estima embarques de 8,9 milhões de toneladas de soja, 2,1 milhões de farelo e 7,8 milhões de milho.