Bahia pode despontar no trigo
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Imagem: Jorge Chagas/Embrapa
EXPANSÃO

Bahia pode despontar no trigo

Antes cultivado somente em regiões frias o cereal está em fase de tropicalização
Por: -Eliza Maliszewski

O Brasil importa cerca de 7 a 8 milhões de toneladas de trigo. Por isso está em busca da autossuficiência no cereal, aproveitando das tecnologias de manejo e novas variedades. Antes plantado somente no Sul do país, já chegou ao Cerrado e alcança o Oeste da Bahia. 

A região do Matopiba, que reúne uma fronteira entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, já é reconhecida pelo plantio de grãos como soja e milho e de fibras como o algodão.  O trigo vem conquistando espaço na região. O cereal é plantado em sistema irrigado com pivô, em rotação com soja, milho e algodão. A cultura entra como importante aliado na quebra de ciclos de pragas e doenças, plantas daninhas e deixa uma boa palhada para o plantio seguinte. Em sequeiro o trigo ainda não teve sucesso em função dos solos arenosos.

Nesta safra a Bahia deve colher 17 mil toneladas em 3 mil hectares. A produtividade média é bem superior à media nacional de 5,66 ton/ha (ou 94,4 sc/há) contra  2,9 ton/ha (ou 48,3 sc/ha). Pesquisadores acreditam que há espaço para 20 mil hectares nos próximos anos. As condições locais são semelhantes a do Brasil Central onde o trigo vem alcançando bons resultados. 

A Embrapa trabalha desde a década de 80 com pesquisas na Bahia, conduzindo experimentos com novas variedades e linhagens de trigo, avaliando junto aos produtores em campos experimentais. O pesquisador Julio Albrecht, da Embrapa Cerrados (DF), explica que, assim como no Cerrado, a brusone também ataca o trigo baiano mas com manejos corretos é possível vencer a doença e que as áreas vem evoluindo. “Na medida em que fomos lançando novas variedades, a área cultivada foi aumentando, sobretudo de 2005 para cá”, diz.

Segundo o diretor de Inovação do Ministério da Agricultura, Cleber Soares, a tropicalização do trigo, por meio do processo de inovação, é um exemplo claro da importância da pesquisa e da inovação na agropecuária, além de poder suprir a demanda brasileira. “A nossa perspectiva é de que, com o avanço do trigo tropical na região do Cerrado e no Nordeste Brasileiro, esperamos em um horizonte de tempo de curto prazo, quem sabe até em dois anos deixarmos de importar trigo e, por que não, pensarmos até em exportar trigo para o mundo”, afirma.

A cultivar de trigo BRS 264 da Embrapa é a mais plantada pelos produtores da região. Enquanto alguns produtores avaliam esses e outros materiais em parcelas piloto, outros já realizam plantios em escala comercial. “A BRS 264 se sobressai pela precocidade, pela qualidade e pela produtividade, com lavouras comerciais produzindo 6 ton/ha (ou 100 sc/ha). Além disso, é a mais demandada pelos próprios moinhos”, diz Albrecht. 

Um dos principais gargalos à produção do trigo no Oeste baiano é a comercialização, já que os moinhos mais próximos de Luís Eduardo Magalhães, um dos municípios produtores do cereal na região, estão no Distrito Federal, a 550 km, e em Salvador, a 960 km, o que encarece o frete. 

Mas a situação pode melhorar em breve. Um moinho está em construção em Luís Eduardo Magalhães e há empresas moageiras do Paraná, de São Paulo e de Salvador (BA) interessadas em atuar na região, uma vez que o preço do trigo importado tem aumentado em consequência a alta do dólar.
 


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