Pesquisa busca aperfeiçoar cadeia do morango
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Imagem: Marcel Oliveira
MINAS GERAIS

Pesquisa busca aperfeiçoar cadeia do morango

Grande parte das mudas de morango é importada de outros países
Por: -Eliza Maliszewski

Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e da Emater de Minas Gerais, se unem a instituições de outros quatro Estados na Rede Morangos do Brasil. O projeto busca elaboração de um plano multirregional para pesquisa e extensão, visando desenvolver ações de fortalecimento da cadeia de morango no Brasil.

A iniciativa mineira se dá pelo fato de o Estado ser o maior produtor de morangos do Brasil. Cerca de 60% das mudas da fruta ainda são importadas, uma dificuldade para a produção seja pelos custos ou pela qualidade comprometida devido ao longo transporte. As variedades também, em sua maioria, não são adaptadas às condições do Brasil.

A junção de 12 instituições de pesquisa dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo e Santa Catarina, desenvolverá pesquisas sobre melhoramento genético; tecnologia de produção de mudas; nutrição de plantas para os diversos sistemas de produção; doenças e pragas da cultura; e pós-colheita e gestão da cadeia (produção e comercialização).

A Epamig prevê a instalação de vários experimentos visando o desenvolvimento de novas variedades adaptadas às condições de solo e clima de Minas Gerais, para, em seguida, juntamente com a Emater-MG, instalar Unidades de Demonstração nas principais regiões produtoras de morango do Estado. “Com isso será possível oferecer aos produtores mudas de qualidade e, assim, reduzir a dependência da importação”, lembra o diretor de Operações Técnicas da Epamig, Trazilbo de Paula.

No laboratório de biotecnologia da Epamig Norte, será realizada a multiplicação in vitro de híbridos nacionais de morangueiro selecionados em programas de melhoramento da Epamig, da Universidade Estadual de Londrina e do Instituto Agronômico de Campinas. O pesquisador que coordena o projeto “Híbridos nacionais de morangueiro: biotecnologia para produção de mudas e desempenho produtivo em Minas Gerais”, Mário Sérgio Carvalho Dias, explica que também deve ser realizada a indexação destes híbridos para as principais viroses que afetam o morangueiro e são transmitidas pelas mudas.

“Após estes processos, as matrizes dos híbridos serão multiplicadas em viveiro e as mudas resultantes serão cultivadas em 13 Unidades de Demonstração e Observação (UDO), implantadas nas principais regiões produtoras do estado. Nas unidades serão coletados dados de produtividade e feita a caracterização qualitativa dos frutos. Os resultados obtidos poderão indicar cultivares com elevado potencial produtivo para as diferentes regiões de Minas e mais acessíveis ao produtor mineiro”, detalha o pesquisador.

As UDO’s serão implantadas nos seguintes municípios: Pouso Alegre, Bom Repouso, Estiva, Senador Amaral, Bueno Brandão, Munhoz e Espírito Santo do Dourado (Sul de Minas); Alfredo de Vasconcelos e Ressaquinha (Campo das Vertentes); Datas (Alto Jequitinhonha); Nova Porteirinha e Montes Claros (Norte) e Prudente de Moraes (Centro-oeste).

A estimativa é que o projeto atenda a aproximadamente 8,2 mil produtores, sendo 91% deles da agricultura familiar. O coordenador técnico estadual de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, explica que uma das características da produção de morango, não apenas em Minas, mas em todo o Brasil, é o cultivo em áreas pequenas, por agricultores familiares com até meio hectare cada. “Existem hoje cerca de 150 mil empregos diretos gerados por esta cadeia. Em Minas são 2.810 hectares plantados e uma produção de 139.118 toneladas. O estado tem 50 municípios com relato de produção, sendo 7.880 produtores familiares envolvidos na cultura e 238 não familiares”, detalha.

Ainda de acordo com ele, os produtores pagam cerca de R$ 1,30 por cada muda importada, o que representa aproximadamente 80% de todo o custo da produção. “Os produtores mineiros importam cerca de R$ 72 milhões em mudas todos os anos. Se nós destinarmos 10% desse investimento em pesquisa, resolveremos esse problema em pouco tempo”, argumenta o coordenador estadual de fruticultura.
 
 
 


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