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Lula enfrenta Trump, aciona OMC e acende alerta

EUA não sinalizam possibilidade de acordo com o Brasil



EUA não sinalizam possibilidade de acordo com o Brasil EUA não sinalizam possibilidade de acordo com o Brasil - Foto: Pixabay

O governo brasileiro formalizou uma queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o uso de tarifas comerciais como instrumento de interferência política, em reação à ameaça do ex-presidente americano Donald Trump de impor uma sobretaxa de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. A decisão foi tomada por orientação direta do presidente Lula e anunciada em discurso firme durante reunião do Conselho Geral da OMC, em Genebra.

Na ocasião, o embaixador brasileiro Philip Fox-Drummond Gough afirmou que o mundo presencia uma mudança perigosa, em que tarifas estão sendo usadas como ferramenta para intervir em assuntos internos de outros países. Sem citar diretamente os EUA, a diplomacia brasileira criticou duramente a prática de medidas unilaterais e arbitrárias, que ameaçam desestruturar cadeias produtivas globais e violam os princípios do sistema multilateral de comércio. A posição do Brasil recebeu o apoio de cerca de 40 países, incluindo China, União Europeia, Canadá, Rússia e Índia.

Apesar do tom firme, a iniciativa diplomática não tem efeito prático imediato e contraria o apelo do setor produtivo, que prefere uma negociação direta com Washington para evitar danos econômicos. Empresários alertaram o vice-presidente Geraldo Alckmin que qualquer medida de retaliação por parte do Brasil, como taxar produtos americanos, pode desencadear uma crise comercial de grandes proporções, atingindo principalmente a indústria e o agronegócio, com impacto direto sobre empregos e renda.

A ação também ocorre em um momento de fragilidade da OMC. O órgão está parcialmente paralisado desde 2019 devido ao boicote americano à nomeação de árbitros, o que compromete a eficácia das resoluções. Ainda assim, o governo Lula aproveita a disputa para reforçar seu compromisso com o multilateralismo, defender a soberania nacional e pressionar por uma reforma estrutural na OMC. Enquanto isso, os Estados Unidos sinalizam que seguirão priorizando acordos bilaterais com países dispostos a aceitar suas condições, como já fizeram com Japão, Indonésia e Filipinas, mas não com o Brasil.
 

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