Demanda por transporte cresce com colheita no Oeste baiano
Algodão baiano tem colheita lenta e queda nas exportações

Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente ao período de 22 a 28 de agosto, e do Boletim Logístico de agosto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), publicado nesta sexta-feira (29), os valores de frete na Bahia apresentaram oscilações de acordo com a região produtora de grãos.
Em Luís Eduardo Magalhães, a demanda por transporte de soja, milho e algodão elevou os preços. A Conab informou que “os fretes para os portos têm fluxo de retorno garantido devido à alta na importação de fertilizantes”. Além da movimentação para os portos de Salvador, Aracaju, Santos e São Luís, o transporte de algodão entre propriedades e indústrias de beneficiamento registrou crescimento, reflexo do avanço de 50% da colheita. O milho também puxou a demanda, com 98% da segunda safra colhida e comercialização dos estoques da primeira.
Já em Irecê e Paripiranga, o cenário foi de estabilidade, com baixa procura por transporte. “Na praça de Irecê foi observada estabilidade nos fretes, com equilíbrio entre a baixa demanda e a baixa oferta de prestadores de serviço”, destacou a Conab.
A entressafra e o baixo volume de estoques de milho, feijão e mamona reduziram a movimentação, enquanto a queda na demanda por mamona foi influenciada pela alta nas importações do óleo. No primeiro semestre, o Brasil importou 5,48 mil toneladas do produto, um aumento de 240% frente ao mesmo período de 2024, tendo a Índia como principal fornecedora.
Em Paripiranga, a manutenção dos valores deve permanecer pelos próximos dois meses. A Conab apontou que “a demanda deve voltar a crescer com a colheita do milho de terceira safra, mas ainda restam semanas para a maturação das primeiras lavouras”. Além disso, produtores planejam adiar a colheita para buscar maior valorização no mercado.
No mercado externo, os dados do Portal Comex Stat mostram que, em julho, houve alta de 3,6% nas exportações do complexo soja, com a China como principal compradora. Já o algodão apresentou retração, associada ao fim dos estoques da safra passada. As entregas da safra atual já começaram, mas em ritmo considerado lento.