Trigo global recua com oferta maior de Rússia e Austrália
Tendência é de manutenção da pressão baixista sobre os preços

O mercado internacional de trigo segue em queda, pressionado por amplas colheitas nos principais países produtores. Segundo informações divulgadas pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), as cotações em Chicago ficaram em US$ 5,10 por bushel no dia 28 de agosto, próximo do menor nível desde 2020.
Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de inverno está praticamente concluída, alcançando 98% da área. Já o trigo de primavera avançou sobre 53% da área cultivada, em linha com a média histórica. Esse ritmo contribui para o aumento da oferta global.
A Rússia, maior exportadora mundial, também segue com resultados expressivos. O país já colheu mais de 64 milhões de toneladas e, segundo analistas, deve embarcar entre 3,5 e 4 milhões de toneladas apenas em agosto. O preço FOB do trigo russo com 12,5% de proteína recuou para US$ 235 por tonelada, reforçando a competitividade no mercado externo.
Na Austrália, as expectativas também são positivas. A próxima safra deve alcançar entre 32 e 35 milhões de toneladas, bem acima da média histórica de 27,6 milhões. Se confirmada, essa colheita colocará mais pressão sobre os preços internacionais.
Com uma oferta crescente dos principais exportadores, Chicago se mantém fragilizada. O mercado enxerga pouco espaço para valorização expressiva, a menos que ocorram problemas climáticos nos próximos meses, sobretudo na Austrália.
O excesso de trigo disponível globalmente afeta diretamente países importadores, que encontram maior poder de barganha. Compradores da Ásia e do Oriente Médio já aproveitam os preços mais baixos para reforçar estoques estratégicos.
O cenário indica que, no curto prazo, a tendência é de manutenção da pressão baixista sobre os preços internacionais do trigo. A abundância de oferta vinda da Rússia, EUA e Austrália tende a limitar qualquer recuperação relevante em Chicago.