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Mercado global de grãos atento ao clima

No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4%



No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4% No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4% - Foto: USDA

O mercado internacional de grãos atravessa semanas decisivas, marcado pelo chamado weather market, que se intensifica entre agosto e setembro, fase crítica para as lavouras americanas. Nos Estados Unidos, embora algumas regiões registrem clima mais seco, as chuvas regulares têm garantido bom desenvolvimento de milho e soja. O Pro Farmer Crop Tour 2025 confirmou produtividades superiores à última safra em estados como Indiana e Nebraska, mas ainda abaixo das estimativas oficiais do USDA, o que pode resultar em revisões nos balanços de oferta e demanda.

“Mais do que os números, o Crop Tour funciona como uma leitura prática de campo. Ele confirma produtividades consistentes, mas sinaliza que as estimativas do USDA podem estar superdimensionadas. Isso pode gerar revisões no balanço e impactar os estoques finais”, analisa.

No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4% nas cotações em Chicago, atingindo os menores níveis desde 2020. O aumento da produtividade pressiona os preços e limita movimentos de recuperação, mesmo em meio às oscilações da demanda global. Já a soja segue em direção oposta: a redução dos estoques no relatório mais recente do USDA apertou o balanço e sustentou os preços, mantendo a atratividade dos prêmios pagos pelo Brasil.

Para o Brasil, o cenário traz riscos e oportunidades. A forte demanda chinesa valoriza os prêmios da soja e estimula antecipações de venda, enquanto no milho a menor competitividade frente ao produto americano reduz exportações e direciona a oferta ao mercado interno, mantendo preços firmes mesmo com supersafra e câmbio mais baixo. “Uma seca prolongada ou chuvas excessivas poderiam comprometer a produtividade e até mesmo atrasar a colheita. Já vimos isso acontecer recentemente, quando a estimativa da soja foi cortada em função da redução na área cultivada, o que tornou o balanço interno mais apertado”, finaliza. 
 

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