CI

Ministros tentam superar controvérsias


Os ministros do Comércio de 25 países iniciaram ontem, em um hotel de luxo, as conversações para um consenso em relação às posições contraditórias de abertura do comércio internacional.

As autoridades estão em Montreal, a convite do ministro do Comércio do Canadá, Pierre Pettigrew, a fim de buscar soluções ainda não encontradas por negociadores e diplomatas, na Organização Mundial do Comércio (OMC), com sede em Genebra, Suíça.

O objetivo é chegar a um consenso sobre a política de subsídios e de tarifas agrícolas e, com isso, tentar salvar do colapso as negociações mundiais sobre comércio exterior.

O encontro, que antecede a reunião de Cancún em setembro, é a primeira chance para os ministros de estado avaliarem o real impacto das reformas da política agrícola da União Européia (UE).

Acordo agrícola

Os países precisam chegar a um consenso para firmar um acordo na área agrícola para a revisão da sessão da OMC no México, e com isso, encerrar as negociações até janeiro de 2005, que é o prazo estipulado em Doha, no Catar.

O representante comercial norte-americano, Robert Zoellick, e a secretária da Agricultura do país, Ann Veneman, se encontraram com o comissário agrícola da União Européia, Franz Fischler, no domingo, para ouvir a posição da UE sobre a reforma agrícola do bloco.

Pelo Brasil, o encontro conta com a participação dos ministros Roberto Rodrigues, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Esperança de acordo

Sergio Marchi, ex-ministro do Comércio do Canadá, e atual embaixador na OMC, disse que "o encontro dá oportunidade para que os ministros possam examinar a situação por si mesmos."

Enquanto pessoas protestavam do lado de fora, o clima não era muito melhor dentro do hotel. (Veja outras informações na página A-8). Embora alguns negociadores tenham dito que esperavam alcançar algum progresso antes da reunião de todos os 146 membros da OMC em setembro, em Cancún, no México.

A reunião de setembro terá que apresentar difíceis decisões, caso a organização atinja seu objetivo de fechar um tratado internacional sobre abertura comercial, até o fim do próximo ano.

Segundo disse em Genebra o vice-representante do comércio dos Estados Unidos, Peter Allgeier, pouco antes da reunião, "as pessoas parecem entender o que está em jogo aqui. Temos essa oportunidade para contribuir de modo significativo com o sistema econômico internacional."

Negociações em Doha

Quando os ministros iniciaram as negociações, em Doha, no Catar, em novembro de 2001, almejavam fazer grandes reduções nas tarifas de importação sobre produtos e serviços, como medida para elevar a economia global.

Entretanto ainda precisam chegar a um consenso sobre como executar isso, especialmente na sensível área da agricultura, onde a UE enfrenta exigências para reduzir seu maciço programa de subsídio agrícola e realizar grandes cortes nas tarifas de importação. Bruxelas exige que as solicitações sejam cumpridas.

Jeffrey Schott, membro sênior do Institute for International Economics, em Washington, informou que "muitas discussões até o momento são bastante inconsistentes, com propostas que parecem pedir mudanças em tudo que se está fazendo, mas não preciso mudar o que faço."

Tarefa difícil

O embaixador do Uruguai na OMC, Carlos Perez del Castillo, que preside o conselho geral, disse que Montreal é uma oportunidade para os países começarem a relaxar suas posições. "Espero sinais de possíveis movimentos e trocas. Na ausência de tais sinais em áreas importantes, como a da agricultura, creio que nossa tarefa será muito difícil", informou.

Os ministros também precisam decidir se iniciam novas negociações na controvertida área das regras de investimentos - plano apoiado pelos países mais ricos, porém rejeitado pelos mais pobres, que temem não ter controle sobre as operações estrangeiras multinacionais em seus territórios.

Os negociadores já admitem que algumas das providências a tomar em Cancún serão muito árduas, quem sabe até impossíveis.

Segundo informou o chefe suíço das negociações, Luzius Wasecha, "quando os ministros terminaram a reunião em Doha, na verdade plantaram uma árvore frutífera e os frutos surgirão em Cancún. Entretanto, quando se aperta uma fruta verde, não se obtém suco. Será na reunião do México que veremos se as frutas estão amadurecendo ou não."

kicker: Autoridades buscam as soluções que ainda não foram encontradas pelos diplomatas

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.