O controle biológico de insetos é um processo ecológico de redução de populações que se baseia no fato de que, na natureza, existe uma série de microrganismos (fungos, bactérias, vírus, etc.), aves, mamíferos (tamanduá, etc), peixes e insetos que os utiliza como fontes de nutrição. Trata-se do uso da teia alimentar, em que um indivíduo se alimenta do outro para garantir a sua sobrevivência, tendo como consequência a redução desse alimento, que no caso é a população da presa ou do hospedeiro. A cadeia alimentar tem a forma de uma pirâmide em cuja base ficam as plantas; a partir delas, em cada degrau fica um grupo de indivíduos que se alimenta dos constituintes de um ou mais degraus anteriores.
Assim, cada ser vivo tem o seu lugar nessa pirâmide, e sua sobrevivência depende da utilização de outro ser como alimento, ao mesmo tempo que esse mesmo indivíduo serve de alimento para outro. Uma vez que um indivíduo se alimenta de outro, reduzindo a população natural existente, ele se torna um INIMIGO NATURAL deste.
A relação citada anteriormente é natural e ocorre em ambientes equilibrados. Isso não acontece na mesma proporção em um ambiente modificado pelo homem, como é o caso dos sistemas de produção agrícola. A produção de alimentos requer a derrubada de árvores, o revolvimento e a retirada constante de nutrientes do solo, implicando simplificação e criação de um novo ambiente, com características diferentes das naturais. Nesse novo ambiente, as plantas continuam sendo o alimento de muitos insetos, mas, ali, estes não possuem seus
inimigos naturais em quantidade necessária para reduzir a sua população. Isso acontece porque grandes áreas com presença de uma mesma planta (monocultura) espalham odores captados por insetos que delas se alimentam, facilitando o encontro para alimentação. No entanto, esses insetos se escondem entre as plantas, dificultando o seu encontro por seus inimigos naturais que vivem fora desse ambiente.
Por causa disso, a condição da área no entorno dos cultivos também é importante, pois a presença dos agentes naturais de controle depende das matas e sua diversidade de plantas. Assim, os insetos que se alimentam de vegetais passam a ser chamados de pragas, porque causam danos às plantas cultivadas e prejuízos econômicos aos produtores rurais, requerendo aplicações constantes de inseticidas sobre as plantações. Sabendo dos malefícios que a aplicação constante de inseticidas pode causar à saúde do trabalhador rural, de sua família, de consumidores dos produtos e ao ambiente de produção, outras alternativas de controle de pragas têm sido estudadas e podem ser mais vantajosas para o agricultor.
Por exemplo, o uso desses inimigos naturais, ofertados pela natureza, sem qualquer custo extra. Sendo assim, uma forma de controle dos insetos pragas por meio do uso de recursos naturais se dá por aumento dos inimigos naturais na área de produção. Para isso, é necessário restaurar as características anteriores, fazendo com que o ambiente de produção seja semelhante ao natural, diversificando a vegetação presente e criando locais de abrigo, acasalamento e fontes de alimento para os inimigos naturais. Entretanto, de nada adiantaria a presença de insetos benéficos nos cultivos agrícolas se forem confundidos com os insetos pragas e se a sua presença for uma preocupação para o agricultor, que pode julgá-los prejudiciais ao invés de benéficos.
É necessário, portanto, distinguir os inimigos naturais das pragas e entender que: se são INIMIGOS DAS PRAGAS, são AMIGOS DOS PRODUTORES.
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