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Especialistas apresentam avanços na análise do CAR com uso de novas tecnologias e dados

Novas imagens de satélite aprimoram qualidade das análises do CAR no país

Foto: Jhonathan Braga

A assinatura do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e o Google, realizada nesta quarta-feira (1º/4), marca um avanço na qualificação das informações utilizadas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). A parceria prevê o acesso a um conjunto inédito de imagens de satélite de alta resolução referentes a 2008, marco temporal definido pelo Código Florestal, com o objetivo de ampliar a precisão das análises ambientais e fortalecer a política de regularização ambiental no país. 

Na sequência da apresentação do Acordo, o painel “Impactos e Relevância da Parceria” reuniu especialistas para aprofundar os desdobramentos da iniciativa, destacando avanços estruturais na forma como o Estado acompanha as transformações do território ao longo do tempo. 

Dando início ao painel, o coordenador-geral da Iniciativa MapBiomas, Tasso Azevedo, ressaltou a evolução do uso de tecnologias de sensoriamento remoto e geoprocessamento no país ao longo da última década. Segundo Azevedo, o escopo da MapBiomas foi ampliado ao longo dos anos. Desde 2019, por exemplo, o sistema também identifica eventos de desmatamento em todo o país, com base em imagens comparativas.  

Outro avanço relevante é a possibilidade de análise em nível de propriedade rural, viabilizada pela existência de uma base pública como o Cadastro Ambiental Rural. “O Brasil é o único país de atuação do MapBiomas onde conseguimos fazer esse tipo de análise, justamente por contar com uma plataforma pública que reúne informações de mais de 8 milhões de áreas privadas”, destacou. 

A abertura do ecossistema de dados, em linha com o entendimento do CAR como uma infraestrutura pública digital, baseada em dados e orientada à transparência e à colaboração, é outro ganho. “Estamos avançando na lógica de código aberto, permitindo que mais pessoas contribuam com o desenvolvimento das ferramentas e acelerem a inovação”, afirmou.  

Com isso, o fortalecimento do CAR passa também pela ampliação de suas capacidades tecnológicas. Entre as iniciativas em andamento, estão ferramentas automatizadas para cálculo de áreas de vegetação e uma funcionalidade que permitirá acompanhar a evolução dos registros ao longo do tempo, sendo uma espécie de “máquina do tempo” do CAR, voltada à identificação de inconsistências e ao fortalecimento da confiabilidade das informações. 

Desde que assumiu a gestão do CAR, em 2023, o MGI tem investido no fortalecimento da base de dados e na integração de tecnologias, em articulação com instituições públicas, sociedade civil e iniciativa privada. A cooperação com o Google e o apoio técnico de organizações como o MapBiomas ampliam a capacidade do Estado de monitorar e compreender o território, contribuindo para análises mais qualificadas sobre a vegetação nativa, a identificação de passivos ambientais e a consolidação de informações estratégicas para a aplicação do Código Florestal.

Integração de dados para fortalecer a gestão ambiental

Na sequência, o diretor de Regularização Ambiental Rural do Serviço Florestal Brasileiro, Marcos Vinícius da Silva Alves, destacou o impacto da parceria para o fortalecimento da gestão ambiental no país. Para ele, a iniciativa demonstra como a integração entre dados e tecnologia pode gerar resultados concretos na implementação de políticas públicas. “Estamos avançando na incorporação de novas bases de imagens aos sistemas de análise, o que amplia a capacidade de leitura do território e qualifica os processos de regularização ambiental”, afirmou. Ele ressaltou que a disponibilização desses dados beneficia não apenas o governo federal, mas também estados e municípios, fortalecendo a atuação coordenada entre os entes federativos.

Marcos Vinícius também destacou um aspecto conceitual relevante sobre o CAR. Segundo ele, o foco das análises vai além da verificação do cadastro em si. “O cadastro é autodeclaratório, mas o que buscamos é avaliar a conformidade ambiental da propriedade, a partir do cruzamento dessas informações com bases oficiais e parâmetros técnicos definidos em lei.”

Nesse processo, as novas imagens passam a ter papel estratégico. “Com insumos mais precisos, conseguimos produzir análises mais confiáveis e resultados mais aderentes à realidade do território, em linha com os objetivos do Código Florestal”. Para o diretor, a qualificação dessas bases fortalece a capacidade do Estado de exercer sua função regulatória, permitindo uma gestão ambiental mais eficiente, transparente e baseada em evidências.

Infraestrutura tecnológica sustenta avanços na análise ambiental

Encerrando o painel, o líder de Parcerias do Produto Geográfico do Google, Ivan Patriota, destacou o papel da infraestrutura tecnológica como base para esses avanços. Segundo ele, a iniciativa está apoiada em três pilares principais. O primeiro é a capacidade de processamento em larga escala, que permite transformar grandes volumes de dados geoespaciais em informações acionáveis em prazos reduzidos. O segundo pilar é a camada de inteligência, com uso de algoritmos de detecção de mudanças baseados em inteligência artificial, capazes de comparar, por exemplo, a linha de base de 2008 com a situação atual e identificar transformações no território com alto grau de precisão. O terceiro pilar é a infraestrutura de nuvem, responsável por sustentar todo o processamento, armazenamento e disponibilização das informações.

“O Código Florestal exige precisão. E essa precisão só é possível com uma base tecnológica robusta, capaz de integrar dados, processar informações em escala e apoiar decisões mais qualificadas”, afirmou.

Para Ivan, a combinação entre tecnologia, dados e colaboração institucional cria condições para decisões mais ágeis e estratégicas, fortalecendo a governança territorial e ampliando a efetividade das políticas públicas. “Esse é apenas o primeiro passo. A ideia é continuar evoluindo essa base tecnológica, ampliando suas capacidades e apoiando o Brasil na construção de soluções cada vez mais eficientes para a gestão ambiental”, concluiu.

Leia também: MGI e Serviço Florestal Brasileiro firmam acordo com o Google para disponibilizar imagens de satélite e qualificar análises do CAR

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