Os dados conjunturais sobre as economias brasileira e gaúcha, relativos a 2005, estão confirmando o cenário desenhado no início do ano. Diante de juros elevados, visando manter a inflação dentro da meta; de um real sobrevalorizado, diante da forte entrada de dólares no país, atraídos justamente pelos juros, mas também resultado de um superávit extraordinário, dadas as condições cambiais; e o recuo nos investimentos, pela menor oferta de capital no mercado interno, exceção feita, talvez, ao setor da construção civil; o PIB brasileiro deverá crescer apenas 2,3% em 2005, após 4,9% no ano anterior. Ou seja, o Brasil empobreceu neste ano, como já se esperava, apesar da surpresa de alguns setores do governo. Um dos elementos centrais deste quadro, além dos já citados, está igualmente no fato de que as safras agrícolas foram medianas e os preços dos produtos reduzidos. Isto freou muito a economia do sul do país, mas também no Centro-Oeste, onde a relação custo de produção x receita final ficou muito aquém do necessário. Ora, o agronegócio tendo problemas, boa parte da economia nacional também os têm, pois cerca de 30% do PIB nacional depende diretamente deste segmento, assim como quase 40% das exportações nacionais. No Rio Grande do Sul a situação está sendo ainda pior, pois a quebra na safra de verão, como sabemos, foi muito grande, vindo se somar a uma quebra parcial no ano anterior e a um fraco desempenho na safra de inverno. O PIB gaúcho deverá ser negativo em 2005. Uma das razões será o fraquíssimo desempenho industrial, o menor desde 1992. Nos primeiros 10 meses do ano o mesmo ficou em menos 4,8%. Em 12 meses o mesmo está em menos 2,81%, com o setor de máquinas agrícolas recuando 14,77% no ano e o mecânico 11,01%.
2006: Tende a ser melhor
Na comparação apenas entre os meses de outubro de 2004 e 2005, o recuo do PIB industrial gaúcho chegou a 7,89%. Para completar o quadro, a taxa de crescimento nacional, entre 1985 e 2003, medida pelo valor adicionado bruto, chegou a 51,44% no Rio Grande do Sul, contra 55,28% na média nacional; 102,31% no Paraná; 82,62% em Santa Catarina; e 72,10% no Distrito Federal. Mesmo assim, o Estado gaúcho ficou melhor situado do que São Paulo, que registrou 37,1% no período, e Rio de Janeiro, com 33,22%, dentre outros. Todavia, este quadro negativo deverá se modificar para melhor em 2006, desde que o clima favoreça a atual safra de verão. Em isto ocorrendo, embora modesto, os PIBs gaúcho e nacional deverão aumentar, com o nacional podendo chegar ao redor de 3%. Além disso, teremos uma redução dos juros a qual, em não sendo motivada por ações populistas, poderá levar a SELIC a 15% nominal no final do próximo ano, contra 18% no final de 2005. O real deverá sofrer um processo de desvalorização, lento e gradual, em não havendo crises de histerismo durante a campanha eleitoral, favorecendo o setor exportador. Não será surpresa se terminarmos o ano 2006 entre R$ 2,40 e R$ 2,70 por dólar. Tudo isto, evidentemente, se o atual governo continuar vigilante em relação a sua política monetária e ao déficit fiscal. Qualquer derrapagem populista, que leve a um afrouxamento dos controles com objetivos eleitoreiros, colocará em risco todo o processo de estabilização da economia e o cenário será totalmente outro, com novas tempestades econômicas surgindo no horizonte. Assim, dois elementos centrais, para os gaúchos particularmente, deverão ser o fiel da balança econômica em 2006: o clima e o comportamento do governo na campanha eleitoral.