Chegamos ao final de 2009 e a constatação é de que o ano, ao contrário do que se chegou a dizer na área oficial, esteve longe de ser tranquilo no front econômico. A crise mundial efetivamente confirmou sua força e, assim como no restante do mundo, nos atingiu pesadamente.
Tanto é verdade que saímos de um PIB de 5,1% em 2008 para um Produto Interno Bruto que deverá beirar o 0% em 2009, se não for negativo (o último PIB trimestral, de apenas 1,3%, nos obriga a registrar 5% no quarto trimestre do ano para tão somente não cairmos no campo negativo no somatório do ano).
Um tombo desta envergadura está longe de representar uma “marolinha”, como nosso Presidente da República tentou simplificar a crise no seu início, talvez procurando acalmar a sociedade brasileira. As reações dos demais indicadores da economia igualmente comprovam que o caminho percorrido foi duro.
O desemprego, em determinados momentos do ano, chegou próximo a 12%, somente recuando no final do mesmo pela opção oficial de reduzir fortemente os impostos incidentes sobre determinados setores da economia, fato que continua até hoje em muitos casos. Isso dinamizou o consumo interno, como já analisamos diversas vezes neste espaço. Para auxiliar nesse processo, o Banco Central, através do Copom, aceitou uma forte redução do juro básico, passando o mesmo de 13,75% no início do ano para 8,75% em dezembro. Um recuo de 36,4% em 12 meses!
O câmbio, na lógica do trauma econômico, oscilou violentamente, passando de R$ 2,33 no dia 02 de janeiro, para um máximo de R$ 2,42 em 03 de março, chegando, nos últimos três meses do ano, oscilando entre R$ 1,70 e R$ 1,75.
Com isso, somando-se ainda a retração do mercado externo, as exportações nacionais recuaram 23% no acumulado anual até o dia 13 de dezembro.
2009: Não foi marolinha! (II)
Paralelamente, os preços dos produtos agropecuários, base de boa parte da economia sul-brasileira, recuaram fortemente no período.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, a média da soja nos primeiros dias de janeiro era de R$ 43,78/saco. Em meados de dezembro a mesma valia R$ 41,64/saco (perda nominal de 4,9%). O arroz passou de R$ 31,80/saco para R$ 26,46 (perda de 16,8%). O feijão caiu de R$ 126,55/saco para R$ 61,00 (perda de 52%). O milho recuou de R$ 19,15/saco para R$ 16,98 (perda de 11,3%). Por sua vez, o sorgo perdeu 6,3% no período, com o saco passando de R$ 15,10 para R$ 14,15. O trigo, um dos principais desastres de preço no ano, saiu de R$ 23,27/saco para R$ 22,04/saco no período (perda de 5,3% sobre um preço que já estava péssimo). O boi gordo viu o quilo vivo passar de R$ 2,54 para R$ 2,30 (perda de 9,4%). A vaca gorda perdeu 11,2%, passando de R$ 2,32 o quilo vivo para R$ 2,06. O suíno perdeu 13,5% (ainda que se recuperou parcialmente no final do ano), passando de R$ 2,29 o quilo vivo para R$ 1,98. O frango passou de R$ 1,77 para R$ 1,60 o quilo vivo (perda de 9,6%).
Apenas o leite, por incrível que pareça (já que seu preço recuou fortemente nos últimos meses) ganhou preço no período considerado, passando de R$ 0,48/litro no início de janeiro, para R$ 0,54/litro neste meados de dezembro.
Ou seja, os mercados viveram uma readequação diante da forte crise mundial. O lado positivo para os produtores rurais é que boa parte dos insumos, que no ano anterior haviam subido até 150%, registraram um recuo ao redor de 50%. Enfim, apesar de todo o estímulo ao consumo, a inflação recuou. O IPCA sai de 5,9% em dezembro de 2008 para 4,22% em novembro (taxa anualizada).
Já o IGP-M cai de 9,81% para menos 1,59% no período (pela primeira vez na história fechando um ano no negativo).