Não é de hoje que alertamos para o fato de que a atual sobrevalorização do Real depende muito mais de fatores externos do que propriamente de decisões internas à economia brasileira. Na prática, a desvalorização do dólar estadunidense se acelerou a partir de 2004 em relação a grande maioria das moedas mundiais que estejam funcionando sob regime de câmbio flutuante, caso do Brasil. E, neste período, não se percebeu nenhum movimento do FED (Banco Central dos EUA) no sentido de proteger sua moeda. Isto porque, para os Estados Unidos, a perda de força de sua moeda interessa no momento. Duas principais razões sustentam esta afirmação. Em primeiro lugar, o governo estadunidense procura reduzir o déficit comercial, o qual atingiu a US$ 758,5 bilhões em 2006, tendo recuado para US$ 611,8 bilhões no primeiro trimestre de 2007. A moeda fraca permitiria maiores exportações e menores importações. Em segundo lugar, diante da enorme dívida pública daquele país, hoje ao redor de US$ 10,5 trilhões, os EUA vêm optando por rolá-la via a venda de títulos públicos, captando a poupança internacional. Ora, diante de um dólar fraco, as economias mundiais podem comprar maior quantidade de títulos, pois os mesmos baixam de preço em relação às moedas estrangeiras. Assim, ao invés de ajustarem a sua economia, via um controle dos gastos estatais, os EUA aplicam a clássica prática de manterem seu ritmo de vida sustentado pelo resto do mundo. Esta realidade acabou sendo favorecida, nestes últimos anos, pela enorme liquidez internacional que se fez disponível. Todavia, o momento de euforia dos mercados está terminando. Neste sentido, diversas instituições financeiras mundiais já vêm apontando para uma nova realidade. Na prática, um aumento nas taxas de juros internacionais.
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