Quais as causas do atual recrudescimento inflacionário no Brasil? Em primeiro lugar, embora não o mais importante, temos sim o efeito do aumento dos preços internacionais das commodities, a começar pelo petróleo. Tal aumento se deve a uma forte desvalorização do dólar no mercado mundial, a qual já vem de 2003/04. Em segundo lugar, temos a ação do governo brasileiro em liberar crédito e acesso ao crédito de forma importante em 2007, buscando um maior aquecimento da economia. O resultado positivo foi um crescimento de 5,4% no PIB no ano passado (o maior dos últimos anos) e um aumento no poder de compra das classes mais pobres, particularmente E e D, a ponto da classe C contar hoje com mais de 45% da população nacional. Esse processo caminhou bem enquanto tínhamos capacidade ociosa de produção na economia. Terminada esta, a pressão da demanda não encontrou oferta suficiente, elevando os preços dos produtos existentes. Isso nos leva ao terceiro ponto causador de nossa inflação. Não temos capacidade produtiva suficiente para sustentarmos um crescimento econômico de nem mesmo 5% anuais pelo espaço de dois anos. Muito disso porque o país não investiu o suficiente em infra-estrutura ao longo das últimas duas décadas, em muitos casos devido a debates ideológicos e estéreis. Se junta a isso o enorme custo do Estado. Sem falar ainda da mentalidade inflacionária do setor produtivo nacional. A situação só não ficou pior porque, com o Real forte, as importações ficam mais baratas. Como conter tal movimento de preços? Ou reduzimos o custo do Estado, através de reformas profundas, investindo mais em infra-estrutura, ou, como se vem fazendo, aumentamos os juros, encarecendo o dinheiro, freando a capacidade de compra e a produção nacional. Por incapacidade nacional, praticamos a segunda opção até o momento.
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