A LIDERANÇA REGIONAL
O governo brasileiro, acreditando que liderança regional pode ser exercida com medidas paternalistas, alimentadas por posições ideológicas, assumiu posturas, perante seus parceiros da América Latina, altamente comprometedoras ao patrimônio nacional.
O processo iniciou com a incapacidade em administrar os interesses nacionais perante as economias vizinhas, hoje governadas por interesses populistas, alguns beirando a ditadura. Assim, perdemos espaço no contexto do Mercosul, onde Argentina, Venezuela e Bolívia acabaram fazendo uma frente de oposição contra o Brasil, à qual veio se somar recentemente o Paraguai.
Além disso, outros países, como o Equador e a Nicarágua passaram a seguir linha semelhante diante da apatia de nossa diplomacia. A cada movimento de conciliação na lógica de ceder ao interesse alheio, tendo por discurso a defesa dos países mais fracos da região, mais custos econômicos o povo brasileiro passou a pagar. Chegamos ao ponto de nosso presidente, quando da nacionalização dos bens da Petrobrás na Bolívia, em 2006, dar a entender que as intenções bolivianas eram justificáveis em relação aos interesses da estatal brasileira. Culminamos recentemente com a tentativa do Equador em dar calote em grande parte de sua dívida para com o Brasil, assim como revisar a seu favor contratos industriais.
No Paraguai, membros do atual governo, dito de esquerda, estariam cooptando o MST e o MAB para levar o governo brasileiro a aceitar os termos paraguaios de uma renegociação do contrato da hidrelétrica de Itaipu. Por fim, após anunciar que iria cortar em até 40% a compra diária de gás boliviano, resultado para o qual a própria Bolívia nos empurrou, depois da nacionalização do setor, o Brasil voltou parcialmente atrás no mesmo dia.
A LIDERANÇA REGIONAL (II)
Ou seja, o presidente Lula está muito mal assessorado nesta área, rodeado por pessoas que confundem interesse nacional com ideologia partidária, colocando sempre esta acima daquele.
Nesses últimos tempos, finalmente, parece que nosso presidente começou a perceber que tal política estava levando a uma perda total de liderança regional, a ponto de o Brasil chegar a titubear diante das fanfarronices do presidente Chávez, da Venezuela, cuja última “invenção” está em questionar a morte de Simon Bolívar, tentando passar a idéia de que o mesmo teria sido envenenado por obscuras forças colombianas em 1830.
É impressionante como a América Latina pode ter chegado a se entregar a tais discursos, muitos deles alimentados por interesses ditos progressistas de ONGs do Primeiro Mundo, algumas usando como cobertura o próprio Fórum Social Mundial que, por isso mesmo, vem se esgotando em sua importância ano após ano. Se é verdade que o imperialismo capitalista provoca estragos e precisa ser muito bem policiado, é mais verdade que o imperialismo populista/ideológico, que usa a ingenuidade das pessoas mais simples e o radicalismo de alguns mais cultos em benefício pessoal, acaba se tornando um perigo maior ainda.
Por enquanto, o Brasil cedeu demais, prejudicando os interesses econômicos da Nação, terminando por construir um caminho desastroso na região. No entanto, as recentes reações, embora tímidas, podem estar indicando que alguém no governo acordou, finalmente.
O Brasil deve defender seus interesses em relação aos investimentos nos países vizinhos e no mundo. Acordos são feitos para serem cumpridos, havendo a possibilidade de renegociações, porém, técnica e profissionalmente abalizadas, e jamais pelas mãos de interesses populistas e radicais.