A péssima infra-estrutura que o Brasil possui está comprometendo a logística comercial da grande maioria das empresas nacionais, aumentando custos e retirando recursos, desnecessariamente, do sistema produtivo, sem falar na redução da competitividade. Um dos setores mais atingidos tem sido o agronegócio. E, para quem imagina que tal situação é privilégio apenas do Rio Grande do Sul, castigado ainda pela forte seca na última safra de verão, está enganado. No Mato Grosso, um dos Estados mais pujantes na produção primária, particularmente em soja, a situação econômica vem inviabilizando boa parte dos produtores rurais. A ponto de se projetar uma redução no plantio da soja, neste ano, entre 15% a 20%. Também pudera, os custos logísticos, num momento em que o dólar bate a cada dia um novo recorde de queda, aumentam rapidamente. Como a região se vê quase impossibilitada de exportar a oleaginosa pelos seus rios, devido a pressões descabidas de organizações ditas ecologistas, o transporte continua sendo feito por caminhão, via Paranaguá (PR), para o exterior. As perdas com este procedimento chegam a US$ 20,00/tonelada ou US$ 1,20/saco de soja. Desta maneira, em municípios como Sorriso (o maior produtor de soja do Brasil), para se atingir o ponto de equilíbrio, será preciso uma produtividade média de 61,41 sacos/hectare nesta nova safra, numa região em que o rendimento médio, na safra passada, chegou a 51 sacos/hectare. Assim, de maneira conjuntural, o câmbio deve urgentemente sofrer correção. De maneira estrutural, devemos parar de ficar a mercê de movimentos retrógrados que, em nome da ecologia, barram a modernização do país. Duas funções que o Estado deveria assumir rapidamente.
A dívida interna e o custo estatal
O inchaço do Estado brasileiro alimenta um crescimento substancial do custo da máquina pública, fato que exige constantes vendas de títulos públicos para pagar o referido custo. Assim, faltando ainda três meses para terminar 2005, a dívida interna brasileira se aproxima celeremente de R$ 1,0 trilhão. A mesma, no final do primeiro semestre já era de R$ 966 bilhões, correspondendo a 51,5% do PIB nacional. Deste total, R$ 905,5 bilhões foram gerados pela União. Além disso, o governo deverá pagar, no final deste ano, cerca de R$ 170 bilhões da referida dívida, sem diminuí-la, pois não racionaliza seus custos. E, o mais grave: nos primeiros oito meses deste ano, o pagamento dos juros da dívida interna chegou ao redor de R$ 106 bilhões. Ao mesmo tempo, os gastos com a Previdência ficaram próximos a R$ 104 bilhões. Ou seja, por incapacidade de reajustar adequadamente a máquina pública, o governo se presta a rolar o seu rombo financeiro, cada vez maior, com a venda de títulos públicos, gerando a dívida interna a qual, somente em juros, tem consumido mais do que os gastos públicos no sistema previdenciário nacional.
Os impodtos e taxas e o custo estatal
Mas o custo estatal desproporcional igualmente leva o governo a penalizar a sociedade e o setor produtivo com a cobrança cada vez maior de impostos e taxas, buscando arrecadar cada vez mais, já que não corta despesas via reformas consistentes. Hoje, o somatório destas cobranças se aproxima de 40% do PIB. Para se ter uma idéia do problema, no primeiro semestre de 2005, as receitas fiscais públicas chegaram a R$ 175,7 bilhões. Um aumento de 14,3% sobre igual período de 2004, contra uma inflação anualizada de 7,3% (IPCA).