Na recente reunião do G20, ocorrida no último dia 02 de abril em Londres, a China fez uma proposta que acabou passando um tanto despercebida pela grande imprensa.
Trata-se de instigar o mundo a “criar” uma nova moeda internacional, que viesse a substituir o dólar dos EUA. Na prática, se está falando de um novo sistema monetário mundial. Não é pouca coisa!
Mas o mais importante se encontra intrínseco à proposta. O problema central que leva a China a fazer tal proposta não é uma suposta aversão ao propalado imperialismo estadunidense. Longe disso! Trata-se, na verdade, de uma reação que vem no bojo de uma das maiores preocupações econômicas da China.
O país se tornou o maior credor dos EUA, comprando títulos públicos norte-americanos e ajudando a rolar a dívida interna daquele país. Hoje, a maior parte das reservas internacionais chinesas, calculadas em US$ 2,0 trilhões está depositada nos EUA. Algo em torno de US$ 811,3 bilhões.
Outros países do mundo igualmente detêm reservas em títulos da dívida pública estadunidense, inclusive o Brasil, que ajudou a financiar o trem de vida norte-americano na altura de US$ 133,5 bilhões.
Ou seja, dos atuais US$ 201 bilhões que possuímos em reservas, 66,4% correspondem a títulos públicos dos EUA. Consta que o total de títulos estadunidenses em posse de estrangeiros soma US$ 3,0 trilhões.
Assim, a grande preocupação chinesa, que, aliás, é igualmente dos demais credores, se encontra na possibilidade de, para encaminhar soluções para a crise mundial, o governo norte-americano decida, novamente, desvalorizar o dólar ou que o dólar simplesmente volte a perder valor em função das dificuldades econômicas dos EUA.
Nesse caso, a poupança chinesa recuaria fortemente causando um caos que alimentaria ainda mais a atual crise.
A POUPANÇA VAI MUDAR
Em meio à crise o governo brasileiro anuncia mudanças nada interessantes aos pequenos poupadores. Trata-se de modificar o cálculo dos rendimentos da caderneta de poupança, a fim de que os mesmos sejam menores.
E o discurso oficial para justificar tal medida cai na lógica do populismo sem sustentação, embora tecnicamente as modificações possam ser justificadas.
Não se trata de proteger os interesses da maioria da população brasileira, que poupa através da famosa caderneta, e tão pouco desmotivar as grandes multinacionais a partirem para depositar seu dinheiro na caderneta de poupança.
O problema, efetivamente, está no fato de que, com a redução dos juros básicos (Selic), impetrada pelo Copom, visando dar fôlego à economia, os rendimentos dos diferentes fundos de investimento recuam.
De tal forma, que o resultado líquido anual dos mesmos começa a ficar abaixo do resultado da poupança. Isso leva naturalmente a um deslocamento do capital. Até aí, nada demais!
O problema é que a estrutura do Estado brasileiro, a qual insistimos em não mexer, ou melhor, em não reformar, precisa manter os fundos de investimentos atrativos, captando recursos dos cidadãos e empresas que a eles podem acorrer.
Ora, esses fundos são os principais compradores de títulos da dívida pública brasileira, que insiste em crescer. A mesma hoje está ao redor de R$ 1,3 trilhão.
Ora, sem reformas o Estado continua inchando e exigindo mais dinheiro, recurso esse que vem da venda desses títulos graças, em boa parte, aos recursos dos fundos de investimento. Além disso, os recursos dos fundos são utilizados para financiar a expansão das empresas e empréstimos pessoais.
Assim, reduzir o rendimento da caderneta de poupança não busca proteger o pequeno poupador e sim simplesmente atender ao interesse do governo.