No final do ano passado anunciou-se no país que algumas regiões haviam alcançado o nível de “pleno emprego”. Estatisticamente algo ao redor de 3% a 4% da população ativa desempregada. Todavia, embora isso seja uma conquista importante, necessário se faz entender as lacunas de tal raciocínio e, sobretudo, a realidade brasileira neste sentido. Em primeiro lugar, a taxa de desemprego no Brasil é determinada mensalmente pela Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE. Os dados levam em conta a População Economicamente Ativa em apenas seis regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife). Ou seja, a amostra está longe de representar a efetiva realidade brasileira. Em segundo lugar, o IBGE classifica como desempregados aquelas pessoas que não estavam trabalhando, estavam disponíveis para trabalhar e tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho nos trinta dias anteriores à semana em que responderam à pesquisa. Outra grande lacuna: e aqueles que desistiram de procurar emprego para além dos 30 dias? Além disso, a nova metodologia, posta em prática a partir de 2002, considera parte da população em idade ativa os maiores de 18 anos de idade. E considera empregada a pessoa que trabalhou pelo menos uma hora na semana. Que tipo de emprego é esse? Ou seja, novas e importantes lacunas. Assim, não se pode imaginar que realmente tenhamos atingido o nível de pleno emprego. Longe disso! O que se pode dizer é que geramos mais empregos ultimamente. Só!
A Realidade do emprego no Brasil (II)
Entretanto, levando-se em consideração a metodologia existente no país, é verdade que o desemprego recuou sensivelmente. De 13,1% em abril de 2004, para 6,1% em outubro de 2010. E isso se deve ao empuxe da economia, provocado temporariamente pelo dinheiro público, algo que não acontecerá em 2011. Mesmo assim, há fortes discrepâncias se olharmos as diferentes categorias de trabalhadores brasileiros. Embora não seja privilégio nacional, são os jovens brasileiros os que mais sofrem com o desemprego. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, as pessoas com idade entre 15 e 24 anos, no Brasil, registram um desemprego 3,2 vezes maior do que a taxa de desemprego dos adultos (categorias logo acima). Segundo o próprio IBGE e sua metodologia, até novembro de 2010 a taxa de desemprego, nas principais regiões metropolitanas brasileiras, entre pessoas de 18 a 24 anos, era de 12,5%. Ou seja, um pouco acima do dobro da taxa geral de desemprego nacional! E o absurdo maior vem do fato de que, tal situação, se deve a falta de escolaridade suficiente, associada à exigência do mercado para que o jovem tenha experiência prática. Na primeira situação, uma falha dos governos, que falam muito e fazem pouco, onde o mérito dá lugar ao apadrinhamento político na maior parte das vezes. Os recentes fiascos do ENEM e do ENADE estão aí para comprovar a assertiva. Por outro lado, como ter experiência se poucos dão oportunidade de trabalho aos nossos jovens? Não surpreende, portanto, que 46,6% dos desempregados, no Brasil, segundo o IPEA, sejam jovens.