A título de contribuição ao debate, vejamos o exemplo francês. Lançada em 2000, nenhum outro país industrializado seguiu os passos da França na lógica de reduzir a jornada de trabalho. Isso porque as vantagens da redução estão longe de serem claras. A ponto dos franceses iniciarem um debate sobre a importância de reverter a decisão. Na prática, as 35 horas acabaram aumentando o custo do trabalho para as empresas, reduzindo a competitividade-preço da economia francesa. Diante disso, as empresas procuraram reorganizar seu sistema produtivo, procurando evitar novas contratações. Assim, de uma expectativa de gerar 700.000 empregos novos, o sistema teria, nos primeiros anos, gerado apenas metade disso, na melhor das hipóteses. Já no longo prazo, estudos começam a mostrar que o sistema de 35 horas destruiu empregos. Nesse sentido, a redução do tempo de trabalho surge não como uma perda líquida mas sim como “um deixar de ganhar” tanto em termos de emprego quanto de riqueza. Na prática, para as empresas houve um aumento no custo da mão-de-obra ao redor de 14,3%, fato que as levou a uma reorganização do sistema produtivo, apostando mais em tecnologia do que no ser humano, assim como dar preferência ao emprego de jovens, com baixa remuneração, ao invés de apostar nos mais velhos e melhor formados. Em síntese, admite-se que no curto prazo os efeitos de tal medida foram provavelmente positivos para o emprego. Porém, numa perspectiva de mais longo prazo teme-se que esta política de redução coletiva do tempo de trabalho pese fortemente sobre as finanças públicas, prejudicando o potencial de crescimento do país. Isso junto a um país desenvolvido! Pode-se imaginar o efeito negativo de tal medida em países como o Brasil, onde a organização do Estado deixa muito a desejar quando a questão é competitividade.
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