Novamente as centrais sindicais brasileiras vêm a público defender a redução da jornada de trabalho, no Brasil, de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição de salário. Sem entrar no mérito da validade social de tal pleito, cabem aqui algumas considerações econômicas a respeito. Particularmente porque o mundo já possui alguns exemplos desse tipo, sobretudo na França (os franceses reduziram sua jornada semanal para 35 horas, após um longo período em 39 horas). Em primeiro lugar, um país como o Brasil, que luta para chegar a um estágio superior de desenvolvimento, não pode se dar ao luxo de reduzir horas de trabalho dessa forma. Precisamos é manter os empregos existentes e gerar novos e não substituir o que existe por outros. Em segundo lugar, defender que tal movimento venha a gerar mais empregos (fala-se arbitrariamente na geração de 2,4 milhões de novos empregos no país) é muito arriscado, pois falta embasamento técnico. Em terceiro lugar, os exemplos mundiais existentes com esse tipo de medida nos mostram que as empresas, ao invés de empregarem mais, acabam desempregando e substituindo as horas-humanas dispensadas por máquinas, aproveitando-se do avanço tecnológico existente. Em quarto lugar, uma medida desse tipo exige alterações nas leis trabalhistas, tornando-as mais flexíveis, justamente o que os sindicatos não desejam. A tal ponto que a reforma trabalhista, dentre outras, não avança nesse país, embora necessária. Em quinto lugar, defender redução da jornada de trabalho, mantendo os salários e ainda esperar que mais pessoas sejam empregadas beira a utopia, no contexto econômico em que vivemos. Sobretudo o Estado brasileiro não tem condições para arcar com tal processo. De parte da iniciativa privada, o recado nesse sentido já foi dado inclusive.
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