Em primeiro lugar, porque o sistema econômico implantado viveu à base de subsídios internos dados à população, graças ao apoio soviético e às diferentes ajudas externas. Esta ajuda recuou sobremaneira após 1991, tendo alcançado apenas US$ 87,8 milhões em 2005. Em segundo lugar, diante de preços defasados (com um dólar o povo cubano conseguia pagar um mês de aluguel, ou dois meses de eletricidade, ou três meses de telefone, ou comprar quase 90 litros de leite), existe uma inflação reprimida que não será fácil controlar na virada do sistema. Em terceiro lugar, existem três moedas em circulação no país: o dólar, o peso conversível (cotado a 1,20 peso por dólar) utilizado somente em lojas especiais para turistas, e o peso tradicional (26 pesos por um dólar), utilizado justamente para o pagamento dos salários e compra de mercadorias no mercado interno. Desta forma, compreende-se que os cubanos tenham saído decepcionados da primeira incursão comercial a aparelhos eletroeletrônicos (DVDs, celulares, televisão e outros), liberados à população no início de abril. Com um salário de 273 pesos (equivalente a R$ 21,00), não há como comprar uma TV 20 polegadas a R$ 3.400,00 ou uma bicicleta elétrica a R$ 1.400,00, por exemplo. Ou aumenta o salário ou baixa o preço, como afirmou um cidadão local diante de algumas lojas que expunham os novos produtos. A proibição deste tipo de consumo se deu historicamente pela falta de energia elétrica na ilha, situação que chega a provocar apagões de horas. Esta “revolução” econômica, com a entrada no mundo capitalista de um dos últimos representantes mundiais do sistema planificado, merece ainda maior destaque porque poderá nos auxiliar a compreender como o Estado pode ser positivo para a economia, quando bem estruturado, e como o mesmo pode ser nefasto sem controle.
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