Ou seja, em os juros chineses se tornando mais elevados, a economia chinesa poderá atrair mais investimentos e particularmente mais dólares. Isto elevará suas reservas, hoje já importantes, fato que provocaria uma valorização ainda maior do yuan. Em contrapartida, poderá acentuar o deslocamento da liquidez mundial em direção à China. Assim, o Brasil, por exemplo, tenderia a receber menos capitais, especialmente os especulativos, fato que permitiria menor pressão sobre a nossa moeda e, com isto, revalorizar o dólar perante o real ou, se assim o quiserem, levar a uma desvalorização do real, mesmo que lenta. Seria uma saída interessante para um problema que o setor exportador brasileiro vem enfrentando, pois isto aumentaria a renda do mesmo e colocaria o câmbio em patamares um pouco mais coerentes com a paridade de poder de compra de dois anos atrás. Enfim, a terceira medida do governo chinês vem se somar a esta anterior, particularmente no sentido de conter uma possível pressão inflacionária interna. Trata-se do aumento do depósito compulsório dos bancos, ação muito conhecida do sistema brasileiro. Em o fazendo, o governo chinês tende a retirar de circulação um montante de recursos que deixará de pressionar os preços. Todavia, em reduzindo a disponibilidade de recursos diários na economia, igualmente a medida tenderá a auxiliar no freio ao crescimento da mesma, em busca da meta de 8% para 2007, após o susto dos 11,1% de PIB gerados no primeiro trimestre deste ano. No fundo, a China adota, de vez, as tradicionais receitas econômico-financeiras do FMI, em busca de maior harmonia em seu crescimento econômico, tentando evitar uma desestabilização da mesma e, paralelamente, respondendo positivamente às pressões oriundas dos EUA.