A China acaba de surpreender o mundo econômico! Através do Banco Popular da China (equivalente ao nosso Banco Central), o governo chinês anunciou, no dia 18/05, três medidas que, se realmente implementadas, irão impactar fortemente na sua economia e, por extensão, na economia mundial. A primeira medida é liberar sua moeda (yuan) frente ao dólar. Após anos de pressão estadunidense, os chineses adotam uma medida que vem sendo usada pela grande maioria dos países no mundo: o sistema de câmbio flutuante (o Brasil passou a este sistema em janeiro de 1999). A tendência, com tal medida e diante do comportamento do dólar no mercado mundial, é de assistirmos a uma valorização da moeda chinesa em relação à moeda dos EUA, levando a mesma a entrar na lógica das principais moedas do mundo (um dólar custa hoje 7,68 yuans). Isto significa que a China deverá aumentar seu poder importador, fato que poderá elevar o consumo das matérias-primas mundiais, a começar pelo petróleo. Também a soja poderá ser aí beneficiada. Paralelamente, as exportações chinesas poderão sofrer um recuo, fato que frearia um pouco o crescimento da economia local. É bom lembrar que o crescimento da economia chinesa ocorre particularmente pela forte demanda interna e menos pelas exportações. O fato é que, em isto ocorrendo, os custos de produção no mundo tenderão a aumentar, gerando pressões inflacionárias adicionais, as quais precisarão ser muito bem controladas pelos demais países. A segunda medida é a elevação das taxas de juros. Ou seja, esta medida compensaria um possível aquecimento de consumo que viria do novo procedimento cambial. Dependendo da taxa de juros, o efeito poderá ser mais intenso sobre o resto do mundo, pois além de frear a economia poderá atrair mais recursos externos.
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