A vitória do democrata Barack Obama nas eleições presidenciais dos EUA neste último dia 04/11 é cheia de significados. Na parte social e política, os EUA estarão, a partir de janeiro próximo, com um presidente mais preparado do que o atual. Um presidente com larga aceitação nacional e, sobretudo, mundial. Uma pessoa que, a julgar pelas suas afirmações pré-eleições, é mais aberta ao diálogo, conhece melhor as condições sociais de seu povo e traz um alento às minorias, particularmente agora em que o mundo vive um momento econômico conturbado. Espera-se que realmente esteja preparado para o que vai enfrentar. Em termos gerais, teria sido uma frustração caso não ganhasse as eleições, tamanha era a expectativa em torno de seu nome e pessoa. Resta aguardar que a prática confirme tais indicativos e esperanças. E aí entra a questão central que o novo presidente dos EUA terá que administrar: o quadro econômico. Isso porque não há sistema político ou programas políticos que resistam caso a economia não vá bem! E nesse aspecto, Obama herda um país em frangalhos. Além da crise financeira, que atinge diretamente a economia real, gerando desemprego e nenhum crescimento para 2009, o cerne do problema está no imenso déficit público estadunidense. O país, que sempre viveu acima de suas possibilidades, transferindo para o resto do mundo a conta, enfrenta nesse momento um déficit que ultrapassa os US$ 10 trilhões, se aproximando do seu PIB anual. Uma realidade que exige reformas profundas no Estado, corrigindo despesas e readequando o modo de vida do cidadão à capacidade de pagamento. Tal correção exige repensar a presença dos EUA no Iraque, Afeganistão e outras regiões conflituosas, por exemplo. Repensar a forma de manter a liderança mundial!
A vitória de Obama (II)
Na economia internacional, os democratas se mostram, historicamente, mais protecionistas do que os republicanos. Ou seja, não seriam dados ao liberalismo econômico. Todavia, a prática dos últimos governos deste partido tem demonstrado ações bem mais incisivas em prol da economia de mercado do que o contrário. Basta lembrar que foi no governo de Bill Clinton que as negociações multilaterais do então GATT, hoje OMC, mais avançaram. Assim, poderá haver surpresas concretas nesse contexto, com a construção de acordos multilaterais de livre-comércio mais profundos a partir de um final interessante da Rodada de Doha, caso o mesmo fique realmente para o novo governo comandar, pelo lado dos EUA. É provável que o “distencionamento” político que Obama deixa transparecer permita avançar em acordos comerciais multilaterais regionais, do tipo a Alca. Mesmo porque, toda a crise econômica leva a um protecionismo comercial. Para sair dela, o caminho sempre tem sido melhorar as relações comerciais mundiais. Por sua vez, o dólar tende a se fortalecer no curto prazo, diante dos resultados eleitorais. Isso irá exigir uma nova postura dos demais países, visando uma readequação das taxas cambiais de maneira a não perturbar as suas já combalidas economias a partir da crise existente. Enfim, sobra ainda a grande dúvida: será que Obama conseguirá realmente governar como deixou entender que pretende, sem correr o risco de ficar envolvido pela confusão que herdará do governo Bush, fato que levaria à frustração o povo estadunidense e, por extensão, o mundo e sua economia? Uma coisa é certa: em primeiro lugar sempre virá os EUA! Nesse sentido, o mundo não pode alimentar ilusões. Além disso, diante da gravidade da crise econômica e o tamanho dos desafios, o tom do governo tende a ser duro, frustrando os mais ingênuos.