Esta recomposição de preços, todavia, não deverá durar muito, pois a tendência, em o clima permitindo, será uma retomada da produção, uma redução no consumo, o aumento dos estoques, e a queda nos preços médios. Para alguns produtos, como o trigo, isto deverá ocorrer já em 2008. A grande incógnita continua sendo o uso de certos alimentos, custosos por sinal, para a fabricação de biocombustível, na esteira da especulação sobre a escassez de petróleo. É o caso do milho, mas também da canola, do girassol e outras commodities agrícolas. No Brasil, esta realidade internacional igualmente já atingiu a economia. Os preços dos alimentos subiram significativamente, na média nacional, elevando os índices inflacionários. Neste sentido, o IPCA de julho, que havia sido de 0,24%, passou a 0,47% em agosto. O IGP-M passou de 0,28% para 0,98% no mesmo período, enquanto o IGP-DI saltou de 0,37% para 1,39% entre julho e agosto deste ano. Este comportamento está levando o governo a frear o recuo dos juros, podendo mesmo estancá-lo para o restante deste ano, já que o potencial de inflação para 2008 estaria indicando um rompimento para cima da meta inflacionária, estabelecida em 4,5% pelo IPCA. No Rio Grande do Sul particularmente, os preços agrícolas recebidos pelos produtores acompanharam a tendência, com algumas exceções. Nos últimos 12 meses (setembro/06 a setembro/07) a batata subiu 116%; o leite (litro cota-consumo) 65%; o frango 59%; a soja 45%; o trigo 43%; o milho 35%; a vaca gorda (quilo vivo) 29%; o sorgo 27%; o boi gordo (quilo vivo) 25%; o arroz 19% e o cordeiro 15%. As duas principais exceções foram o feijão, com um aumento de 4% em seu preço e o suíno (quilo vivo) com 6%. Apesar de o movimento ser conjuntural, o restante deste ano será de preocupação a respeito no mundo e no país.