Um termo novo passou a ser cunhado pelos organismos internacionais visando dar conta da atual inflação mundial provocada pelos alimentos e as commodities agrícolas. O mesmo poderia ser traduzido como sendo “a inflação do agronegócio”. Embora não sejam apenas os produtos alimentícios que estejam sofrendo uma forte alta conjuntural, haja vista o forte aumento no preço do petróleo, dos minérios e das ações nas bolsas de valores do mundo todo, não se pode ignorar que os preços internacionais das principais commodities agrícolas igualmente subiram fortemente. Na Bolsa de Cereais de Chicago, nestes últimos 15 meses (julho/06 a setembro/07), o preço da soja se elevou em 53% num comparativo ponta a ponta. Por sua vez, o preço do trigo se elevou em 118% no mesmo período. O milho viu seus preços aumentarem em 35%, enquanto o arroz acusou um aumento de 20,3%. O farelo de soja subiu 47,4%, enquanto o óleo de soja teve seus preços majorados em 41,5%. Num período mais longo (2002 a 2006), segundo a ONU, o preço do açúcar subiu 114%, o café aumentou em 100,5%, as carnes em 20% e as bananas em 29%. Com isso, os preços aos consumidores, nos diferentes países, subiram, elevando os índices inflacionários e preocupando o mundo. Na China, a carne suína aumentou em 50% e no Usbequistão os preços do pão e da carne aumentaram em 90%, por exemplo. Ou seja, o impacto desta alta de preços, motivada particularmente por fortes especulações, apesar do aumento na demanda mundial e certa redução nos estoques de alguns produtos, é desastroso para os países mais pobres e subdesenvolvidos em geral. E o pior é que na maioria dos casos os produtores rurais não usufruem muito destes ganhos, pois seus custos de produção subiram proporcionalmente e até mais.