As mudanças no paradigma de qualidade de vida das pessoas da sociedade atual é algo notório. Estas mudanças sinalizam para que um maior número de pessoas valorizem fatores como a saúde preventiva, o aumento da expectativa de vida e a preservação do meio ambiente, os quais contribuem para uma melhor e mais saudável qualidade de vida.
Um desses fatores é o crescimento da importância dada à qualidade, como também a segurança sanitária dos alimentos. As influentes campanhas que divulgam os novos conhecimentos sobre as vantagens que a utilização de frutas e verduras frescas apresentam na saúde das pessoas, contribuíram para um incremento significativo no consumo deste grupo de alimento. As frutas e verduras frescas são ricas em vitaminas, sais minerais, fibras e possuem baixo teor de calorias. Além disso, geralmente não contêm colesterol, gordura e sal. No entanto, as frutas e as verduras precisam, também, não conter resíduos de agrotóxicos, pois os consumidores já estão conscientes dos problemas que o uso destes produtos provoca em sua vida e na natureza. Por isso, o consumo de alimentos orgânicos, também chamados de alimentos “limpos” aumentou consideravelmente nesses últimos anos.
O mercado mundial da agricultura orgânica movimenta cerca de 40 bilhões de dólares anuais e seu crescimento vem oscilando entre 5 e 50% em alguns países. No Brasil, esse mercado movimenta algo entre 40 e 50 milhões de reais e o seu índice de crescimento vem girando em torno de 50%. Segundo a empresa certificadora de produtos orgânicos Farm Verified Organic (FVO), o país possui uma área plantada de 100 mil hectares e apresenta uma receita de aproximadamente 150 milhões de dólares com esse tipo de agricultura. Desse montante, cerca de 13% (20 milhões de dólares) são oriundos do mercados nacional e 87% porcento (130 milhões de dólares) das exportações para países como Alemanha, França e Japão.
No Brasil, a maior concentração de produtores de agricultura orgânica encontra-se no estado do Paraná, onde 2.400 famílias produziram na última safra de 2000 cerca de 37 mil toneladas de alimentos orgânicos, que correspondem a 15% da produção orgânica nacional. A taxa média de crescimento na produção destes alimentos, nesse estado, é da ordem de 40%. A previsão para a safra de 2001 é de aproximadamente 70 mil toneladas. Esta atividade gera no estado do Paraná em torno de 30 mil empregos diretos e uma renda bruta de 26 milhões de reais.
A Alemanha é um dos maiores mercados da Europa. O nível de conscientização dos alemães em relação às questões ambientais é muito elevado. Por isso, este país tornou-se um dos maiores produtores e consumidores de alimentos orgânicos do mundo.
No Brasil, observa-se uma tendência de aumento no consumo de produtos orgânicos. Segundo dados da Associação de Agricultura Orgânica de São Paulo, o crescimento do consumo de produtos orgânicos no Estado foi de 10% em 1997, 24% em 1998 e 30% em 1999. Em pesquisa recente realizada na cidade de São Paulo, observou-se que 61% dos consumidores de produtos orgânicos entrevistados, compram, freqüentemente, também produtos convencionais por falta de opção de um similar orgânico.
Quando se compara a agricultura orgânica brasileira com a de outros países constata-se que ela ainda é incipiente. Na União Européia, por exemplo, a área cultivada organicamente passou de 100 mil hectares em 1985 para 3 milhões de hectares em 1999. A Áustria ostenta a maior proporção de área cultivada com orgânicos na Europa, cerca de 40% do total cultivado.
Apesar da agricultura orgânica não representar apenas uma mudança tecnológica, mas acima de tudo uma reorientação filosófica na agricultura, para que os produtos orgânicos brasileiros ocupem uma maior fatia de participação nos mercados interno e externo faz-se necessário o desenvolvimento de novas tecnologias nas áreas de pré e pós-colheita que garantam a qualidade e aumentem a sua competitividade. Ademais, faz-se necessária a redução do custo de produção a fim de que o preço destes produtos sejam diminuídos e as classes de renda mais baixa do país, composta pela maioria da população, tenham acesso a eles. É importante salientar que o preço elevado dos produtos orgânicos é um dos principais fatores que limitam o seu consumo no país.
A Embrapa Semi-Árido, visando fornecer informações para os agricultores do semi-árido sobre a agricultura orgânica, vem desenvolvendo pesquisa com algumas culturas frutícolas e hortícolas, dando ênfase ao controle biológico de pragas e doenças, manejo orgânico do solo e controle alternativo de podridões pós-colheita.