A economia mundial continua nos enviando sinais contraditórios, a respeito de sua saída da crise econômicofinanceira que a atingiu desde 2007. Após três anos, a crise continua presente nos principais países do mundo, com consequências sobre os demais, inclusive aqueles, como o Brasil, que acham já ter saído da mesma. Dentre os principais economistas do mundo, o formato que mais está se comprovando para a atual crise é o da raiz quadrada . Ou seja, uma violenta queda, seguida de certa recuperação, a qual estagna em patamares bem abaixo do nível em que a economia se encontrava até meados de 2008. Nestas condições, segundo recentes relatórios da UNCTAD e da OCDE, a recuperação da economia mundial ainda é frágil e desigual. Espera-se um PIB global da ordem de 4,6% em 2010, porém, muito mais devido a países como o Brasil (7,1%) e China (10,5%) do que devido aos países desenvolvidos, já que para a Zona Euro se espera apenas 1% de crescimento, para o Japão 2,4% e para os EUA 3,3%. A boa notícia é que, apesar da estagnação em níveis inferiores, não há indicativos imediatos de repique de novas recessões (?), salvo o forte endividamento dos Estados. Por outro lado, há um alerta que já se sabia: o Brasil já cresceu o que podia e, a partir de 2011, terá uma perda no ritmo de crescimento, muito disto provocado pelo governo por não se ter infraestrutura suficiente para um crescimento superior a 5% anual. Japão e EUA igualmente perdem fôlego, além de Canadá, França, Índia, China, Itália e Grã-Bretanha.
Ainda Sinais Contraditórios (II)
No caso do Brasil, somos a economia que mais perde fôlego entre os 35 principais mercados mundiais analisados pela OCDE, sendo que já teríamos atingido o pico da recuperação, iniciando um processo de retorno a níveis mais baixos. Desta forma, fica o alerta para os setores de nossa economia que, nesse momento, estão “bombando”. A freada se aproxima e será preciso ficar muito atento para não acontecer falências múltiplas por falta de planejamento. A conseqüência será igualmente um crescimento no desemprego formal e dificuldades, já detectadas, para uma gama importante de brasileiros, que se endividou fortemente nestes últimos meses, não conseguir honrar seus débitos (em agosto a inadimplência cresceu 11,5% sobre igual mês de 2009, se constituindo no quarto mês consecutivo de inadimplência positiva em relação ao ano anterior). O próximo governo, portanto, herdará um enorme problema, que virá se somar ao forte endividamento público que se tem construído nos últimos anos. Para agravar a situação, não há sinais de que o dólar retomará força na economia mundial, fato que fragiliza nosso comércio externo. Os EUA continuarão deixando o dólar enfraquecer visando solucionar seus próprios problemas (enormes déficits na balança comercial e uma dívida interna colossal). Aliás, tal postura está levando a especulação nas Bolsas a, novamente, aumentar o preço das commodities para compensar a perda no valor da moeda estadunidense. Contrariando os mais otimistas, a economia mundial ainda está sobre bases muito artificiais.