Embora sempre difíceis, é chegado o momento de se apontar algumas tendências econômicas para 2007. Neste sentido, podemos de imediato dizer que o crescimento da economia, medido pelo PIB, não deverá alcançar 5% como deseja o governo. Não de forma sustentável! Isto porque estamos longe das medidas necessárias para a ele chegar. Assim, 2006 deverá terminar com um crescimento de 3%, enquanto para o próximo ano, nas atuais condições, se projeta 3,5%. O PIB industrial, que fecha este ano ao redor de 3,4%, poderá fechar 2007 em 4%. A inflação oficial, medida pelo IPCA, projetada em 3% para 2006, tenderá a aumentar um pouco em 2007, na esteira da pressão que o governo fará para gerar maior crescimento econômico, podendo chegar a 4,2% no final deste próximo ano. Já a taxa de juro, medida pela Selic, deverá ficar em 13,25% no final de 2006 (dias 28 e 29/11 haverá a última reunião do Copom, com o mercado esperando um novo corte de 0,5 ponto percentual na atual taxa, que é de 13,75%, ou, na pior das hipóteses, um corte de 0,25 ponto). Em isto ocorrendo, a taxa real de juro ficará em 10,25%, fechando em torno das projeções feitas há meses. Para 2007, a tendência é bem mais conservadora. O espaço para novos recuos na taxa Selic será bem menor, com o mercado apontando para 12% no final do próximo ano. Isto indica para uma taxa real, em 2007, de 7,8% apenas. Ou seja, estaremos diante de uma considerável redução na taxa real de juros, graças a combinação de uma inflação maior e de taxas nominais um pouco menores. Mesmo assim, a taxa real continuará sendo uma das mais elevadas do mundo. O IGP-M (outro índice que mede a inflação nacional), está projetado em 3,23% para este ano, devendo alcançar 4,3% para 2007. Ou seja, IPCA e IGP-M ficariam muito próximos.