Passadas as eleições, eleito o novo presidente do Brasil, o novo Congresso Nacional, governadores e assembleias estaduais, está na hora de trabalhar visando 2011 e anos futuros. No caso da presidência da República, a necessidade é urgente, pois existem inúmeros desafios e problemas a resolver, particularmente na área econômica. Tudo começa pelo fato de que o país elegeu sua primeira presidenta sem um plano de governo. O que se tem são promessas e intenções! Muitas delas populistas e de difícil viabilidade econômica. Um real plano de governo teria que apresentar não só as intenções mas principalmente as estratégias de como concretizar tais intenções. Assim, por enquanto, estamos no escuro, infelizmente. Dito isso, vamos aqui salientar alguns aspectos que o novo governo nacional terá que enfrentar e resolver se efetivamente deseja avançar rumo ao desenvolvimento. O primeiro desafio é manter a estabilidade econômica, controlando a inflação dentro de metas já pré-estabelecidas, mantendo o câmbio flutuante e reconstruindo o superávit primário. Isso, provavelmente, irá requerer uma administração mais severa dos juros básicos (a Selic), além de cortes nas despesas públicas, com definição de prioridades que geralmente não contentam a todos. Assim, ganha importância neste final de ano a escolha do novo presidente do Banco Central e do novo ministro da Fazenda. No entanto, a julgar pelas promessas, o corte nas despesas públicas está sendo pouco cogitado, o que continuará a deixar o país à mercê de crises.
Ao trabalho! Há muito por fazer (II)
Paralelo a isso, é de fundamental importância a realização das reformas do Estado e na estrutura econômico-financeira do país. A presidenta eleita indicou conhecer o problema, pois chegou a afirmar que irá fazer a reforma tributária. Resta saber se, com a atual composição política que a Presidenta foi forçada a aceitar em torno de si, passando pelo novo Congresso, isso será factível. Há 16 anos o país vem tentando realizar tal reforma! Por outro lado, não basta apenas a reforma tributária. Urgente se faz realizar também as outras reformas: fiscal, trabalhista, previdenciária, política, judicial, administrativa...Um terceiro enorme desafio é conter a dívida pública. Ora, as promessas feitas indicam que isso não será realizado. Defender aumento do bolsa família, do salário mínimo e outros aspectos sociais é muito bonito e apelativo, porém, na economia é preciso fazer escolhas, pois não há dinheiro para tudo. A prática do endividamento público em constante aumento, realizada no atual governo, não pode continuar, sob pena de inviabilizar a estabilidade econômica e qualquer possibilidade de se gerar um real desenvolvimento do país no futuro. Espera-se que a Presidenta e sua equipe “não continue jogando para a torcida” e sim pense no futuro de sua população, no longo prazo. Há ainda as questões cambiais e da capacidade de investimentos do país. No câmbio, a ação passa hoje por negociações internacionais, algo que muito precisamos melhorar. Nos investimentos, sem poupança pública pouco se avançará. Problema: o discurso do novo governo também é de aumentar as despesas sem indicar as receitas.