A França acaba de eleger seu novo presidente, Nicolas Sarkozy, para um mandato de cinco anos. O pleito francês, na área econômica, nos deixou inúmeras lições e indicações (embora seu resultado tenha passado igualmente pelas questões fundamentais da segurança, imigração e sociais em geral). Os dois candidatos do segundo turno (o outro foi Ségolène Royal, do Partido Socialista) apresentaram um discurso pontual diferente, em torno de um tema central: reduzir o custo do Estado ou como encontrar meios para financiá-lo. Um desafio mundial atualmente! Afinal, a dívida pública do Estado francês cresceu cinco vezes entre 1980 e 2005, passando de 206 bilhões de euros para 1,138 trilhão de euros. Este último valor representa, ao câmbio de hoje, US$ 1,56 trilhão (a dívida pública brasileira, a título de comparação, chega a US$ 527 bilhões). Mesmo com um Estado-providência (Estado do Bem-Estar Social) positivo, o fato é que o custo do processo se tornou proibitivo para a França. O candidato vencedor, e não teria sido por acaso, defendeu a idéia de uma redução nos impostos (hoje, o orçamento do Estado francês é alimentado por 61,5% de impostos indiretos e 38,5% de impostos diretos) graças a uma redução nos custos do Estado. Já os socialistas, mesmo admitindo a necessidade de reduzir o ritmo de despesas do Estado, defenderam a idéia de aumentar os impostos para financiar as despesas e manter o chamado Estado-providência. Todavia, este debate tradicional, acabou sendo superado por questões ainda mais urgentes. Haveria compatibilidade entre a redução na cobrança de taxas dos diferentes serviços sociais oferecidos, com a diminuição do déficit orçamentário? Ou, ao contrário, o caminho seria estabilizar os impostos numa percentagem da riqueza nacional?
Continuação - As lições francesas (II)

