Para finalizar esta série de textos sobre parasitoses (As principais parasitoses que acometem bovinos leiteiros no Meio-Norte do Brasil – Partes 1 a 5), todos publicados neste mesmo site, vamos abordar as principais enfermidades causadas por protozoários, na bovinocultura leiteira no Meio-Norte do Brasil: a eimeriose e a "tristeza parasitária" bovina.
A eimeriose é uma doença contagiosa causada por protozoários pertencentes a diversas espécies do gênero Eimeria. Ocorre em todos os animais domésticos, porém é mais comum em caprinos, ovinos e bovinos. É uma doença de grande importância em animais criados em regime de confinamento, sendo freqüente em rebanhos leiteiros. A importância da eimeriose está nas perdas econômicas decorrentes do baixo desempenho e morte dos animais.
A eimeriose pode atingir animais de qualquer idade, porém os mais jovens são mais acometidos, podendo adquiri-la logo após o nascimento. Os bezerros acometidos apresentam diarréia, perda de peso, falta de apetite, crescimento retardado, enfraquecimento e, às vezes, morte. Nos animais adultos a enfermidade não produz sintomas, porém estes atuam como disseminadores da doença.
As medidas sanitárias e de manejo mais importantes no controle da doença são:
- Limpeza e desinfecção das instalações, comedouros e bebedouros;
- Separação dos animais por idade;
- Evitar pastos úmidos e grande número de animais em pequenas áreas;
- Evitar estresse aos animais.
Deve-se dar preferência ao tratamento individual dos animais doentes. São recomendados os medicamentos a base de sulfas, por via oral, durante dois a três dias.
A segunda enfermidade decorrente de protozoários que vamos comentar é a "tristeza parasitária", também conhecida simplesmente como "tristeza". A tristeza parasitária, é uma das doenças mais importantes em bovinocultura de leite, ocasionando altos índices de mortalidade quando não tratada. Essa doença é causada pela associação dos protozoários Babesia sp. e da riquétsia Anaplasma sp., que parasitam as células vermelhas do sangue dos animais. Recentemente a riquétsia Ehrlichia bovis, que infecta os glóbulos brancos (leucócitos) do sangue dos animais, tem sido considerada como um agente agravante da "tristeza parasitária".
Os bovinos de origem européia são mais sensíveis, tanto aos carrapatos, quanto aos agentes da "tristeza parasitária'. Os bezerros até 60 dias de vida geralmente são mais resistentes à infecção do que os animais adultos, quando recebem o colostro adequadamente, de vacas imunes.
Os sinais clínicos freqüentemente encontrados são: febre, prostração, pelos arrepiados, anemia, falta de apetite (anorexia), icterícia, hemoglobinúria e emaciação (inchaço). Entretanto, estes sinais clínicos são encontrados também como manifestações de outras doenças e nem todos são evidentes em animais infectados por Babesia sp. e Anaplasma sp., o que pode dificultar o diagnóstico da doença.